O female fronted e seus fãs viveram meses de espera e ansiedade por esse álbum, que desde o começo foi cotado como um dos destaques de 2014. E bem, agora que eu finalmente ouvi e ouvi bastante, posso dizer que todas as expectativas estavam certas: The Quantum Enigma é um dos melhores álbuns que nós vamos ouvir em muito tempo.


Vocês viram que eu decidi comprar a briga de defender o novo disco do Epica, e apesar de ser fã hardcore de outras bandas tais como Within Temptation e Tarja não me arrependo do que fiz e faria de novo, pois apesar de a banda também ter ganho fama por razões controversas (leia-se: "ser previsível"), contrariar a crítica é o meu um hábito predileto, e nesse caso a teimosia foi recompensada além do esperado.


O nosso enigma quântico

Tudo em The Quantum Enigma extrapola os limites do enorme, do incrível, do pomposo ou do épico, esse literalmente. Cada uma das 13 faixas é carregada de extrema emoção, são bem conectadas e difíceis de serem ouvidas uma vez só (eu tenho ouvido o CD inteiro em média duas vezes ao dia), pois a atmosfera grandiosa faz você imergir nela mesma muito facilmente.


Dando nome aos bois, primeiro os elementos orquestrais.


O Epica dispensou o uso de sintetizações e contou novamente com um grupo de músicos para tocar os instrumentos de cordas, ideia que resultou em um belíssimo efeito durante os solos e introduções feito em "The Essence of Silence", algo que você dificilmente conseguiria sem usar um músico de verdade. Já o piano tocado pelo tecladista Coen Janssen confere momentos de fragilidade e delicadeza emocionantes.


Quanto ao coral, é claro que ele não faltou. Um poderoso e já familiar coro de câmara marca presença, mas vocês irão ouví-los bem mais vezes se compararmos aos discos anteriores, pois ao invés de apenas servir de acompanhamento para Simone Simons, Mark Jansen e Arien van Weesenbeek, as vozes cantam com o trio em várias partes das músicas, cerca de um terço do álbum.


Falar dos vocais? Ok, lá vamos.


A essência do silêncio

Existem bandas que dividem as vozes igualmente (Visions of Atlantis), outras que têm uma "voz lider" (Within Temptation), e outras que dividem irregularmente, e as vezes pecam em não aproveitar um ou outro vocalista (Lacuna Coil e Cristina Scabbia). O (outro) pulo do gato em The Quantum Enigma é a proporção entre os guturais e a voz de Simone Simons.


Simone canta com desenvoltura, finalmente largando um pouco os agudos e soltando a voz como eu tanto queria ouvir, numa performance duas vezes mais envolvente. Benefícios da materinade? Não sabemos, mas merece a hashtag #Amem. Já os guturais fazem aparições que não sou não maiores ou menores, e sim nos momentos certos pra evitar a saturação de uma ou outra voz, até mesmo do coro.


Tudo isso dá vida a letras que não podiam ser mais atuais.


Sim, as composições do Epica têm um pé na filosofia, política e religião desde sempre, mas o tom humanista das novas letras na medida para eu clicar com ele, a minha maior dificuldade com a banda desde 2007. As mensagem ainda alerta para as consequências das nossas ações, mas incentiva uma reflexão profunda sobre o nosso emocional frágil, as pressões que nos aprisionam, os desejos que nos movem, mas que as vezes movem em direções destrutivas.


Destaques

Todas as faixas poderiam ser destaque, mas "The Essence of Silence", "Sense Without Sanity (The Impervious Code)" e "The Quantum Enigma (Kingdom of Heaven Part II) me chamaram demais a atenção pelas letras, e a última pela pegada cinematográfica, o tipo de música que muda a sua vida depois de ouvir.


Conclusão

Missão dada e cumprida. O Epica declarou que o sucessor de "Retrospect" seria um divisor de águas da carreira, e "The Quantum Enigma" é exatamente isso. Capaz de deixar fãs sem palavras, e conquistar até quem está de fora da panelinha, a banda investe num metal pesado como nunca, sinfônico como poucas vezes.


Sentem pra ouvir o álbum com calma, sem pular faixas e sem pausar. Só fica permitido deixar o som último volume. Vocês não vão se arrepender.


Formação


Mark Jansen - Guitarra, vocal (gutural)
Coen Janssen - Teclados
Simone Simons - Vocal
Ariën van Weesenbeek - Bateria, vocal (gutural)
Isaac Delahaye - Guitarra, Back vocal
Rob van der Loo - Baixo


Tracklist

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