Eis que 2011 foi o ano da polêmica nacional com direito a clube da luta e trouxe algumas perguntas a tona novamente. O fã brasileiro não apoia a cenal nacional? Bandas estrangeiras são idolatradas mais do que realmente merecem por aqui? Ainda há 'solução' para as bandas nacionais terem peso novamente? Vamos ver o que origniou tudo isso.

O dia 13 de Novembro representa o Dia do Heavy Metal Nacional e para fortalecer a idéia do projeto, no dia 6 de Novembro rolou o festival Dia do Metal Power Metal. Com o seguinte slogan "O heavy Metal brasileiro está unido. E você?", mas se realmente está unido não vem ao caso, mas a parte puxada ao fã vem.

Após o show do Almah, Edu Falaschi deu uma entrevista que acabou virando desabafo mamilos polêmico, confira:




Edu foi pesado em suas críticas e em alguns pontos concordo com ele. Não há como negar que, bandas de fora recebem muito apoio dos fãs locais quando fazem show no país. Quando vamos tratar das bandas da casa, parece que há um comodismo estranho. Já perdemos muitas bandas e algumas mal escutamos falar, mesmo sendo banda de peso pra cena. Alguém lembra do nome Viper?

Apoio pela internet parece existir ou, pelo menos a trollagem rola solta. É fácil hoje vermos pessoal "reclamando" do som popular no país e que domina a programação da tv mas e o que fazemos para fortalecer a imagem do som que gostamos? Quando muito, o "som mais pesado" que vemos na tv é o som de Jota Quest, Skank e Capital Inicial e olhe lá.

Tivemos algumas opiniões sendo dadas a declaração de Falaschi, entre elas a resposta de Dani Nolden em seu Formspring através da pergunta de um(a) fã:

Dani, o que você achou das ultimas declarações do Edu Falaschi sobre a cena Metal brasileira? Fale um pouco sobre a sua visão da atual fase da cena Metal brasileira.

Gosto muito do Edu, mas discordo completamente do que ele disse. Acho injusto jogar a culpa em cima do público. A cena vem atravessando problemas, mas não porque os fãs não apóiam, e sim porque tem shows demais acontecendo. As pessoas não tem dinheiro pra tudo. A maior prova disso é como os shows em locais que não costumam receber eventos de grande porte estão sempre lotados!

Dizem que o público é paga pau de gringo... mas então porque tinha menos de 200 pagantes no show do Evergrey em São Paulo e 80 pagantes no Rio de Janeiro? O show do Ozzy, do Iron Maiden, do Metallica lotam, mesmo com ingresso a R$300? É claro que lotam... TODO MUNDO conhece essas bandas, até quem não é fã de Heavy Metal! Onde eu aprendo Kung Fu, tem um menino de 12 anos que adora Metal... o que ele conhece? Metallica, Iron Maiden e algumas bandas mais modernas como Slipknot? Ele não conhece nem Pantera. Não tem a menor ideia do que seja Angra. É culpa dele? Claro que não... é o marketing milionário e os 30 anos de sucesso do Iron Maiden que faz um grande número de pessoas quererem ir aos shows deles. Eu tenho certeza que se o Metallica fosse uma banda brasileira, todo mundo os adoraria do mesmo jeito.

Na minha opinião sincera, um artista quer fazer música, quer tocar, não importa pra quantas pessoas. Quando nós começamos a fazer música, nós temos em mente que vai ser um caminho difícil e que a maior probabilidade é que isso nunca vai passar de um hobby ou que vamos ganhar muito pouco. Algumas poucas bandas terão a sorte de viver apenas da banda, mas a maioria esmagadora não terá. Se dermos a sorte de algum dia encher estádios, muito bem, vai ser maravilhoso. Mas eu não quero depender disso pra me sentir realizada. Pra mim, o que vale são as expressões de felicidade das pessoas nos shows, sejam elas 100, 1000 ou 10000. Os países que visitei tocando a música que eu mesma compus com meus amigos. Se meu público não for grande o suficiente pra pagar minhas contas, eu sempre posso dar aulas, produzir bandas, prestar consultoria, cantar na noite, etc... Se meu público não for grande o suficiente nem pra compensar gravar discos, a banda acaba, sem problemas e foi bom enquanto durou. Quantas bandas vendem milhões de discos e depois somem? Músicos precisam sempre estar preparados pra ter a sua banda em alta ou em baixa... um belo dia, podemos acordar e ninguém mais ter qualquer interesse no que nós fazemos.

Deixando meus devaneios de lado... o fato é que concordo com o Korzus. O Metal brasileiro está em seu melhor momento. Nossas bandas são excelentes e o público hoje está com a mesma cultura do americano e do europeu, ao menos em relação ao Shadowside. Temos vendido MUITO bem nos shows, simplesmente porque o público tem prazer em ter nas mãos um CD da banda que ele gosta ou vestir uma camiseta da sua banda favorita. Se conseguirmos melhorar as estruturas das casas de shows pequenas, vamos ter um underground tão rico quanto o estrangeiro.

Uma resposta animadora sobre a cena me surpreendeu, ainda mais vindo da Dani. Ela começa dizendo que não está bem porém, depois diz que está e ainda restringe que está tudo bem com a Shadowside. Não sei quanto a você, mas acho estranho ela dizer isso, me passa a sensação de ter uma cena paralela onde estão Shadowside e MindFlow de mãos dadas. Ambas as bandas têm suas carreiras com mais força lá fora, apesar da segunda ter um grande apoio dos fãs por aqui.

Por um lado, se há quem abaixe a cabeça pros gringos, há também quem não pense desse jeito e mostra que sua obra e em seu país, tem de ser respeitada, nem que seja na força. No último SWU (festival nacional com nome gringo, pode isso Arnaldo?) de todos os shows que tiveram, o que mais chamou a atenção foram os problemas envolvendo o Ultraje A Rigor.

Irônia do destino, o show do Ultraje foi no domingo dia 13 de Novembro ...

Inutil? Fila da p#, Mim quer tocar!
Foi um domingo chuvoso e com isso, um show a céu aberto tende a ter problema sno palco, certo? Certo. Então, culpar uma banda por isso é errado não é? É. Mas na visão da produção do Peter Gabriel, não é errado não.

Os shows tinham uma duração menor que de outros festivais e, o show do Ultraje já seria curto, apenas uma hora tocando os sucessos para comemorar os 30 anos da banda. O show teve uma hora de atraso devido as chuvas e, para ajudar, mais da metade do palco ficou inutilizado por causa da orquestra que teria depois.

A produção de Peter Gabriel queria que a banda do Roger tocasse apenas meia hora para não atrasar a vida deles. Roger não aceitou e, como seu repertório permite, deu respostas provocativas com suas músicas, enquanto nos bastidores seu irmão trocava socos com o produtor.






Será que essa reação, é o que deseja Edu Falaschi de seus fãs para com os gringos? E para você, a cena está vivendo mesmo o seu melhor momento após anos de seca?