E finalmente uma nova coluna! Nada como comemorar o retorno do Nós somos true falando de uma polêmica milenar.

Apesar da intensa semana de provas na faculdade, passei um bom tempo logada no Facebook ajudando em trabalhos, tirando dúvidas e por aí afora. Entretanto, isso não me tornou imune ao bombardeio constante de informações do meu feed de notícias, que basicamente é composto por um irônico equilíbrio de metalheads e não-metalheads.

Foi então que comecei a notar uma peculiaridade no processo de orkutização do site de Mark Zuckerberg



Passaram a circular fotos do heavy metal vs o mundo (feito essa acima), comparando alguns dos principais nomes metálicos versus outros que estão na boca do povo. Comecei a ver 1, 2, 3 fotos do tipo aparecerem no meu feed.. Uma propaganda viral para promover a confusão, por motivos que não são inéditos para mim e muitos de vocês. Eis que me vi matutando sobre isso e aqui estamos.

Se headbangers possuem má fama, isso se deve também pelo estereótipo negativo alimentado pelos próprios. Sim, graças a parcela que gosta de vandalizar, encher a cara de bebida, maquiagem pesada, ou andar com seus All Stars propagando o ódio por aí, eu e você somos vistos com olhos ainda mais tortos. Não que eu me importe com a crítica, mas se eu disse que ela nunca me incomodou, seria mentira. Já perdi amizades por "preconceito musical".

Os próprios headbangers tem protagonizado situações tão absurdas ao ponto de brigarem entre si, tentando descobrir quem é o mais puro aos olhos do deus metal.



Por isso (dentre outras razões) não me importo de esconder um fato: odeio ser fã dos outros. Sim. Gosto de In Flames, Trivium, Scorpions, Firewind, Within Temptation, Versailles, X Japan, Sonata Arctica, Shadowside (..), mas a questão do ser fã tem sido tão ridicularizada que prefiro me considerar apenas uma apreciadora de boa música, e que se identifica mais com o metal. E fico satisfeita assim.

Mas agora falando da questão do versus o mundo...

Não sejamos hipócritas pessoal, cada estilo ou falso estilo musical tem um público alvo. Por questões financeiras, culturais, geográficas, de marketing, mas tem. Senão o principal programa brasileiro de sexta à noite seria assistir ópera, e não é assim que a coisa funciona. A cultura de massa tem uma lógica válida de difundir informação para o máximo de pessoas possível, mas a ganância tem falado tão alto que os conteúdos (revista, cinema, música) tem sido simplificados de maneira a gerar nas pessoas uma aversão ao pensamento crítico, e por tudo que é mais sagrado: pensar é de suma importância na vida humana.

Pensar faz crescer, se entender, mas também faz você chocar-se com seus demônios interiores, podendo até descobrir que você não é tão bonitinho e descolado quanto pensava ser. É preciso muita coragem para entrar numa luta contra si mesmo.

Então sim, continuarei a defender que gosto musical se respeita, mas se discute. Você raramente vai me ver entrar em discussões sem um bom motivo, mas se eu entrar, pode ter certeza que "darei um boi" para não sair. Afinal durante décadas a música pesada nunca foi respeitada, então não acho que eu tenha motivo para viver abaixando a cabeça. Argumentar quando vale a pena é preciso.

Gosto do heavy metal. Seus barulhos promovem em mim catarse musical, tirando pesos das minhas costas e ajudando a passar por algumas crises. Entretanto não é porque sou 'metaleira' que deixei de ser humana. Que eu não usaria minha camiseta da "Cleo" (ou Pussyfoot) dos Looney Tunes na faculdade. Que eu não misturaria Machine Head, Trivium, Florence + The Machine nas playlists do Winamp.

Ou então que eu seria compreendida por alguém.