Minha ligação com o Allen/Lande é bastante pessoal. Acompanho o projeto desde o começo, tive "The Battle" como uma das trilhas da minha pre-adolescência, e apesar de não ter criado o mesmo apego emocional com "The Revenge" e "The Showdown", várias músicas de ambos os álbuns ficaram marcadas na minha memória.


Afinal, nada poderia ser mais bonito do que unir Jorn e Russell, duas das maiores vozes do heavy metal, certo? Acrescente também o trabalho primoroso e sempre efetivo de Magnus Karlsson, guitarrista do Primal Fear, que com uma ótima produção, riffs pesados e animados fez justiça ao projeto desde o primeiro disco.


Fazia quatro anos desde que o Allen/Lande não gravava um álbum novo. Em 2011 o Symphony X de Allen lançou "The Iconoclast". Em 2010 o Masteplan de Lande lançou "Time To Be King", e em 2013 lançou "Novum Initium". Já o Primal Fear de Magnus lançou "Unbreakable" em 2012, enquanto o guitarrista gravou o registro solo "Free Fall" em 2013 e produziu em 2010 o debut de outro projeto similar, o Kiske/Somerville.


Sendo assim, quando a Frontiers Records anunciou o retorno do projeto eu deveria estar mais do que feliz e sim, eu estava. Entretanto, a felicidade durou pouco ao descobrir a condição desse retorno: ter Timo Tolkki como novo compositor e produtor. Bateu um nervoso imediato.


Pode parecer exagero, mas não é. Os trabalhos de Tolkki na vida pós Stratovarius têm tido a inconsistência como marca registrada, e conhenhamos, não é uma forma legal de se manter conhecido. Uns dizem que o Revolution Renaissance foi bom, outros falam do Symfonia, eu por minha vez fico com "The Lande of New Hope", o debut de Avalon, pois mesmo recorrendo aos maiores clichês do metal, o conjunto soa muito positivo.


(E mesmo que a participação de Sharon den Adel tenha sido jogada no lixo)


Entretanto, a proporção de falhas supera a de sucessos. Revolution Renaisscance terminou em meio uma série de problemas. Durou 3 álbuns. O supergrupo Symfonia não passou da estreia. Os álbuns solo do guitarrista foram ao todo três. A incapacidade de voltar a brilhar parecia um medo bobo após a estreia do metal opera Avalon, porém tudo mudou com o lançamento do segundo álbum, "Angels of The Apocalypse".


O play nos mostra um Timo esgotado de ideias. Com um som linear e genérico, é impossível até mesmo para o cast estelar de vocalistas -Elize Ryd, Simone Simons, Fabio Lione e Floor Jansen- salvar o resultado final, que peca por uma produção pobre e mixagem estranha. Era uma das resenhas que eu pretendia trazer para o Hardmetal Brasil, mas acabei desistindo.


Entre os pontos altos (dos baixos) está Floor Jansen, cuja voz foi extremamente mal. Quando você assiste o clipe do single "Design The Century" a primeira coisa que vem em mente é wtf, pois numa possível tentativa de fazer diferente do simples, porém cativante vídeo de "Enshrined In My Memory", Timo caiu na frase do dito popular: deixou a emenda ser pior que o soneto.


Pra mostrar que não minto, e que não é perseguição pessoal, procurei no Google por resenhas do álbum. Abri todos os links das duas primeiras páginas, e apesar de alguns elogios lá e cá, o tom de parte resenhas e comentários é de desapontamento, frustração e crítica:


Nas redes sociais o feedback também não tem sido diferente. Você conferir aqui , aqui e aqui.


Isso então nos leva ao primeiro trailer de "The Great Divide", que de fato, promete dividir bastante as opiniões dos fãs, que apesar de frustrados em maioria, não ficaram tão surpresos, pois já se acostumaram com as peripécias do guitarrista finlandês:




É possível notar que o som tem a assinatura do Tolkki, o começo até anima um pouco, mas não fosse pelas vozes de Russell e Jorn podíamos dizer que se trata de tudo, menos de Allen/Lande. Parece um Avalon pt. 3. Novamente a atmosfera é genérica e insistente em uma sonoridade que atualmente eu não sei se é tão interessante para os metalheads, que podem encontrar sons parecidos por aí.


Dessa forma, como explicar a decisão? Business é a única coisa que me vem em mente. Tanto Allen/Lande, quanto Avalon são artistas da mesma gravadora, da Frontiers. E talvez num ato de camaradagem (um dia vamos descobrir a verdade?), permitiram o guitarrista assumir o coração de um projeto bem sucedido e estabilizado.


Sou a favor de mudanças. Adoro invenções, detalhes diferentes, um álbum conceitual, parcerias inesperadas. Vocês bem sabem. Entretanto, odeio mesmo ver escolhas desse tipo. Se vamos mudar, vamos mudar, mas mudemos direito e coloquemos o álbum nas mãos de alguém capaz de fazer um bom trabalho com base no seu potfólio atual e/ou geral, não apenas no passado.


Se você gosta do trabalho do Timo Tolkki eu não lhe culpo, nem condeno. Longe de mim. Só que não posso negar o quão incógnita "The Great Divide" se tornou. Por um lado amo o projeto, por outro sei como é sair frustrada de uma situação onde depositei esperanças demais em um trabalho do Timo. Só o tempo vai dizer, e eu sinceramente espero estar errada, mas desde já fica a lição: em time que está ganhando, não se mexe.


Enquanto isso fica um top 6 do passado, pois recordar é viver: