Ainda lembro de quando me aventurei a ouvir death melódico através do In Flames. Era um complexo Agosto de 2010 e em Fevereiro eu tinha acabado começar a faculdade, carente do apoio musical que o metal sinfônico há um bom tempo tinha deixado de me oferecer. Se você já lia o blog nessa época, acompanhou todo o meu processo de conversão, cujo post definitivo que confirma isso pode ser lido aqui.

É engraçado pensar que eu custei a dar o braço a torcer, principalmente por ter escutado Only For The Weak e ter gostado pra caramba. "Mas isso é muito agressivo", pensava eu, e assim fui empurrando com a barriga até topar de cara com o A Sense of Purpose, o álbum definitivo que abriu para mim as portas do mundo do In Flames e do death melódico em geral, sacramentando até mesmo o novo degrau emocional que eu estava subindo. Sim, sim, a velha conversa psicológica pela qual vocês me conhecem.. Mas é sério, descobrir mais sobre a vertente foi um choque para o meu mundinho de fantasia Tuomesca.

A Sense of Purpose tem um certo groove em suas músicas. Dá vontade de sacudir o corpo, bater cabeça e fazer um brinde à todos os seus conflitos interiores, tema que permeia os trabalhos do In Flames mais ou menos desde Reroute to Remain. E foi assim que a Drama Queen que vos fala achou uma das trilhas sonoras de sua vida, resultando no casamento do século.

Como todo início de relacionamento precisa ter um pivô, digo que Alias foi o meu, porém pelo motivo mais aleatório e não-metal de todos: os 20 segundos de passagem acústica antes de Anders Fridén cantar o refrão pela última vez. Bingo, direto no estômago


Em 99% das vezes não se encontra o video de Alias em boa qualidade, 
mas acreditem: esse aqui realmente está em HQ

O disco em si é muito nivelado (para cima), é difícil apontar uma faixa ruim ou mais fraca. Se Alias se destaca por seu vocal sofrido, Delight and Angers traz um refrão amigável, tal como Drenched In Fear. The Choosen Pessimist é a segunda faixa que mais gosto (depois de Alias, obviamente), com seu ritmo introspectivo, quase progressivo, além de uma bela letra. 

Fridén também acerta em cheio com um vocal bonitos e difícil. Se alguns cantores simplesmente alternam entre o drive e a voz limpa, ou o gutural e a voz limpa, Fridén faz uma mescla frequente de voz limpa e agressiva, ou quando não alterna tão naturalmente entre as duas que você quase não percebe o impacto da "troca", como normalmente acontece com bandas feito Soilwork ou Scar Symmetry. O tom da sua voz é do tipo angustiado, quase melancólico. É a cereja do bolo som do In Flames.

Tracklist*
The Mirror's Truth – 3:01
Disconnected – 3:36
Sleepless Again" – 4:09
Alias – 4:49
I'm the Highway – 3:41
Delight and Angers – 3:38
Move Through Me – 3:05
The Chosen Pessimist – 8:16
Sober and Irrelevant – 3:21
Condemned – 3:34
Drenched in Fear – 3:29
March to the Shore – 3:26

*as faixas com link são dos videos lançados pela banda