Estou de volta com outra resenha, mas esta é especial por uma série de motivos: em primeiro lugar, porque vou falar de uma banda brasileira que conheci há relativamente pouco tempo, e em segundo, porque vou falar de uma das bandas mais criativas do momento.
Nada de cópia do Sepultura do Roots ou Angra do Holy Land. O Huaska fez sua estréia em 2003 com o disco Mimosa Hostilis, e destaca-se da maioria esmagadora pela mistura inusitada e competente entre o heavy metal nosso de cada dia e ritmos como bossa nova e samba, resultando num som bem particular e que me surpreendeu bastante (positivamente) quando os ouvi pela primeira vez.
Samba de Preto foi lançado em 2012, e desde a primeira faixa convida a esboçar uns passos de samba enquanto se bate cabeça com melodias contagiantes, que intercalam entre a melancolia e o peso das guitarras (Branco e Verde).
Além disso, a banda compõe e canta todas as suas letras em português, o que se configura como outro ponto a favor pra ressaltar ainda mais a aura boêmia e divertida de músicas como Gávea ou o tom poético de Foi-se.
Sendo assim, enquanto que você se curte o som do Huaska não se espante ao encontrar violão, pandeiro, cavaquinho e até mesmo um surdo (!) dividindo espaço com guitarra, baixo e bateria conforme ouvimos em Avoar.
Tive uma momento feliz com a introdução de Ainda não acabou, que me fez lembrar da música Aprendiz de feiticeiro da falecida cantora Cássia Eller (música na qual eu gosto muito), porém não demora e os guitarristas Carlos Milhomem e Alessandro Manso criam um ritmo quase hard rock, embalado pela performance do vocalista Rafael Morozimato.
Não tenho o hábito de dar notas aos álbuns que resenho por achar injusto medir qualidade usando números, porém Samba de Preto mereceria um 10.
O Huaska tem uma proposta de som que se parece bastante com a da banda americana Ill Niño (cujo o vocalista é brasileiro), e vocês podem conferir tudo isso na prática ouvindo o disco diretamente no canal da banda no Youtube, vou deixar a tracklist linkada.
Entretanto, quem tiver condição e interesse, vale a pena comprar o álbum, que não é difícil de encontrar. Samba de Preto está disponível no iTunes e nas livrarias Saraiva e Cultura por menos de 30 reais, um baixo investimento com retorno garantido.
E pensar que não falei da versão de Chega de saudade de Vinícius de Moares e Tom Jobim, ou da participação da cantora Elza Soares em Samba de Preto. O álbum é uma verdadeira viagem.
Formação
Rafael Moromizato – Vocal
Carlos Milhomem – Guitarra
Alessandro Manso – Guitarra / Violão
Caio Veloso – Bateria
Músicos convidados
Eumir Deodato – Piano / Cordas / Metais
Elza Soares – Vocal
Tracklist
1. Ainda Não Acabou
2. Foi-se
3. Samba de Preto
4. Branco e Verde
5. Gávea
6. O Mar
7. Avoar
8. Let's Bossa
9. Otelo
10. Chega de Saudade




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