Sou o tipo de pessoa que gosta de conversas e odeia discussões. Discutir é ótimo pra falarmos coisas sem pensar, deixar o clima tenso e criar confusões. Entretanto, se o assunto é algo do qual eu não consiga fugir totalmente (feito música), acabo inevitavelmente me envolvendo mesmo que um pouco.
E foi exatamente isso que motivou esse texto: uma discussão musical mal sucedida. Ao perceber que eu estava metida numa conversa sem futuro pulei fora, e decidi traduzir minhas ideias da melhor maneira possível: escrevendo.
De vez em quando observo como as pessoas encaram a música como algo linear e exato, feito uma receita de um bolo ou equação matemática, sendo que a música consiste justamente no contrário. Foi inspirada nisso e em como a regra dos 8 ou 80 ainda é vivida tão à risca no heavy metal que a coluna de hoje nasceu.
Tudo é cópia de Nightwish
Esse é o mais antigo argumento dos meus 9 anos de música pesada: toda banda com uma mulher nos vocais está fadada a ser comparada com o Nightwish, ou ser acusada de copycat da mesma (exceto Arch Enemy ou Holy Moses por motivos óbvios).
Entretanto, quem sustenta o argumento esquece que os finlandeses tornaram-se referência no gênero, porém o mesmo não está patenteado no nome de Tuomas Holopainen.
Na verdade o Nightwish foi influenciado pelo Therion, que está na estrada há bem mais tempo (1987) e que lançou seu primeiro álbum voltado para o metal sinfônico em 1995, dois anos antes de Angels Falls First.
Além disso os finlandeses dividem essa influência com o Within Temptation, embora a banda no primeiro momento tenha preferido o caminho do metal gótico, e de certa forma dividiram o debut no gênero com bandas como Rhapsody of Fire e Haggard, pois todos estrearam ainda nos anos 90.
Se falarmos de exemplos recentes temos os nascidos nos anos 2000 como Delain, que nunca utilizou vocais operísticos, o After Forever, que fazia uso de guturais, ou o Leave's Eyes, que também utiliza guturais esporádicos e sempre focou suas letras na mitologia nórdica e nos vikings. Sendo assim, fica claro que semelhança não é plágio, basta olhar com calma pra perceber.
Mas se não é parecido, também não é bom
Sim, o argumento existe. Há quem critique o fato de ser diferente. Um ótimo exemplo disso é o Lacuna Coil há alguns anos atrás (e se bobear, é até hoje). A banda nunca adotou a tendência sinfônica, ao invés disso começou inspirada no metal gótico do Paradise Lost e mudou aos poucos para um som mais moderno, parecido (ao meu ver) com Disturbed e In Flames.
Outro diferencial positivo é que a vocalista Cristina Scabbia nunca fez o papel da moça dos longos vestidos coloridos e vocal delicado.
Um exemplo interessante e não tão famoso? Eu tenho. Conheci recentemente o Xenthesis, banda austríaca na estrada desde 2004 que também fazem metal moderno, mais exatamente metalcore, e que tem uma mulher nos vocais. Vou deixar aqui o video de Reflections, parte do cd Thou Shalt Not pra vocês verem.
Não é mais como no começo, deixou de ser true
Um argumento que vitima uma das minhas bandas favoritas, o In Flames. Os suecos começaram como uma típica banda de death melódico old school ao lado de At The Gates e Dark Tranquillity, porém passaram os anos e as influências modernas tornaram-se mais evidentes, além da mudança significativa nos vocais de Anders Fridén.
Os fãs ficaram desconfiados e frustrados, e o que eu mais leio desde 2010 é sobre como eles agora são uma porcaria moderna e mainstream, e que o Dark Tranquillity é o único fiel ao verdadeiro melodic death metal.
E essa comparação é lamentável, pois ambas as bandas são boas.
(nota: eu também ouço Dark Tranquillity)
Se a banda explora a mesma fórmula por anos, é acusada de ser repetitiva, e se gosta de experimentar mudanças, é infiel às suas origens. A verdade é que uns são bons em fazer sempre o mesmo thrash, mesmo heavy, mesmo hard rock, e que outros são bons em não fazer isso, e para mim o In Flames tornou-se uma banda do tipo, mantendo a principal característica - músicas com ótimas melodias.
Uma conclusão
Não há conclusões. Penso eu que as pessoas deveriam ser mais flexíveis, porém não sei se alguém compartilha dessa ideia. Querer que uma banda seja exatamente como você gosta é ótimo, porém é quase impossível, isso se realmente não for.
Pra tentar resolver o problema existe uma grande variedade bandas e vertentes, que combinam com quase todos os dias, humores ou estações do ano. Logo, se não gostarmos de uma, podemos nos consolar com a outra.



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