Sempre fui muito implicante com relação ao Edu Falaschi. A prova viva e musical é que nunca me interessei demais pelo seu trabalho com o Angra, e não foi por falta de tentativas.

Embora a banda tenha história fama, a combinação entre a proposta de som e a voz do dele nunca me cativou. Porém tem quem goste, e isso é o bom da música: divergências que sendo devidamente respeitadas geram boas discussões.

Provavelmente (?) muitos vão estranhar então que eu estar resenhando o do novo disco do Almah, mas é claro eu recomendo a leitura do texto até o final. Como sempre faço, aliás. Aí vocês vão entender.

Motion tem uma capa que me chamou bastante a atenção, e conforme já disse, isso é um critério que me leva a ouvir um disco. Boa capa, chance de bom som, eu arrisco. Segundo sei, Falaschi tirou a foto na França e após tratamentos na imagem, o resultado final é esse que conhecemos.

Com relação ao som, a primeira impressão que fica evidente é positiva: a fuga do estilo de heavy metal produzido pelo Angra, visto que inevitavelmente ocorram/ocorrem comparações entre as bandas.

Acho então que por nunca ter ligado para a "nova era" do Angra ou o Almah, eu possa deixar o review mais voltado para a música do que para as polêmicas em si.

As 10 faixas de Motion são um meio termo entre o power e o melodic, e como outro ponto de destaque, não possuem as firulas sinfônicas que atualmente me irritam tanto. No geral são melodias bem agradáveis, dessas que levam instintivamente a começar a bater com o pé no chão.

Os vocais do Edu estão menos agudos e até mais agressivos, uma isca que quebrou parte da imagem negativa que eu tinha e gerou expectativa do que encontrar no cd, praticamente uma tática publicitária. A única crítica realmente negativa que fica é o fato da voz dele estar tão em segundo plano em Hypnotized. Foi irritante tentar ouví-lo e não conseguir tão bem.

- Destaques 
Living and Drifting indica uma das tendências que serão ouvidas ao longo das 10 faixas: o excelente trabalho de guitarras. Especificamente aqui, destaque para o vocal do Edu, seguindo um ritmo meio thrash metal;

Em Days of The New a bateria chama a responsabilidade, e a combinação entre teclado e back vocais criam uma atmosfera bonita, principalmente quando somadas a letra;

Bullets on The Altar é finalmente a música onde se ouve melhor a voz dele, não demorando muito para o clima mudar para algo mais "emotivo", parecido com as típicas baladas hard rock. Uma pausa aos 2:55, rápidas notas de piano e outro bonito solo de guitarra

Trace of Trait, o primeiro single single do grupo, música com quebradas de ritmo cativantes (uma das coisas que eu mais gosto), vocais novamente curiosos, e um refrão bem acessível;

E When and Why, que não tem nada monstruosamente genial, mas tem uma vibe acústica quase como dessas músicas que tocam muito nas rádios de MPB (aqui no Rio de Janeiro é a MPB FM). É uma música simpática.

Resumindo, Motion não é a reinvenção da roda, mas é uma forma decente de utilizar a mesma. Se é melhor que esse ou aquele trabalho na voz do Edu, não me importo tanto. E sim, aos ouvidos que acham que podem vencer a influência das polêmicas recentes envolvendo ele e seus colegas (?), recomendo o cd.



Formação
Edu Falaschi – Vocais
Felipe Andreoli – Baixo
Marcelo Barbosa – Gutarra
Paulo Schroeber – Guitarra
Marcelo Moreira – Bateria

Tracklist
1. Hypnotized
2. Living And Drifting
3. Days Of The New
4. Bullets On The Altar
5. Zombies Dictator
6. Trace Of Trait
7. Soul Alight
8. Late Night In ’85
9. Daydream Lucidity
10. When And Why