Galera.

Chega uma hora na vida que você precisa saber insistir e desistir. E a edição de Atenas dessa semana é sobre desistência. Me arrependo mesmo do tempo perdido, mas por outro lado serviu como uma boa lição, e lembrete a mim mesma de saber onde gastar as energias. Entenda: eu tinha um texto todo amarrado com argumentos, opiniões, críticas, elogios, tudo sobre o vazamento dos trajes alternativos de Street Fighter V e a polêmica da Laura Matsuda, a personagem brasileira vestida de Anitta periguete, Mas daí eu olhei para o texto, ele olhou pra mim, e não nos bicamos.

Então eu deletei ele não vou publicar.

Vou explicar o motivo em 3 partes:

Entenda o furdunço
Quem me avisou foi o Waka, pois eu sou uma jornalista desligada da vida. Claro. Nem sempre tô por dentro de tudo porque eu tenho essa mania de viver na minha bolha. Daí eu fui ver que nessa semana vazaram imagens dos tais trajes alternativos. Uns ficaram ótimos (Bison, Chun-Li policial, Karin, Rashid), uns não dá pra defender (Birdie), teve milagre (R. Mika vestida!), gente que ainda me dá susto (Ken e as sobrancelhas gigantes), e o da Laura, que rendeu pano pra manga.

Motivo? Veja abaixo:


Isso acendeu um rastro de brigas e discussões na internet sobre a sexualização, e objetificação da personagem. Falaram dos choramingos, do politicamente correto, da liberdade criativa, e eu fiquei na minha, de olho em tudo, digerindo as informações, pensando e refletindo. Até tentar falar sobre isso, de verdade. Ma no final eu vi que não daria certo e nem valia a pena. Minha briga pelo respeito às mulheres no heavy metal e entretenimento continua, mas eu sei reconhecer uma causa perdida quando vejo uma.


Laura Matsuda já nasceu complicada
Em outubro de 2015 o produtor de Street Fighter V, Yoshinori Ono, contou o que inspirou a criação da personagem:
Desde sempre ouvi que havia muitas mulheres lindas no Rio de Janeiro, mas não foi bem isso que vi quando fui pra lá em 2011. Para Laura, decidimos então trabalhar com a visão mais fantasiosa que os japoneses têm da mulher brasileira, não exatamente retratar a mulher brasileira com fidelidade. Ah, e tem um pouco das minhas preferências pessoais também.
Ela é um reflexo da cultura popular brasileira que está na TV, na internet, nas revistas, nas ruas, em todo canto. Laura é o resumo das Panicats, fazendeiras, BBBs, Geise Arrudas, das mulheres que tornaram o hábito de mostrar o corpo em exagero normal, popular, uma fonte de marketing, sucesso e dinheiro. Foi aqui onde eu desisti do texto. Eu tenho rigorosamente 0% de nada para fazer. Não posso brigar pelo respeito de uma personagem que já nasceu complicada, é gastar energia por nada nesse país que bate palma pra "Baile de favela" e depois quer exigir respeito lá de fora.



Vida que segue? Vida que segue.
Eu não sou contra a beleza e a sensualidade, muito pelo contrário. Se é bonito tem mais é que mostrar porque não vamos ficar de hipocrisia, dá gosto ver beleza, seja no videogame ou na vida real. Por outro lado, Street Fighter é desde sempre uma franquia estereotipada e exagerada, mas que ganhou a simpatia do público, então muita coisa passou batido e é defendida. Eu mesma já zoei certas coisas, e continuo coçando a cabeça de tão wtf que os músculos toma whey dos homens me fazem ficar. Não acho lindo esse visual monstrão...

.. Na verdade eu acho tudo que tudo que é hiper e em excesso é um porre.

Então essa é a coluna sobre a coluna que não vai sair, cumprindo o prometido de explicar em três partes os motivos disso. Acredito até que vou mais longe e da mesma forma que vocês raramente me veem falando de Nightwish, já que eu não suporto o que a banda se tornou, esperem o mesmo da minha parte com Street Fighter V. Ou se eu falar, serão de coisas bem neutras. Assim eu protejo a minha cabeça oca, salvo as minhas energias, e gasto elas onde realmente importa.

(E vocês podem ver que a questão de energia gasta realmente me incomoda pelo tanto que eu repeti isso)

Devido a esse erro de percurso e desperdício de tempo, eu infelizmente vou deixar a edição de Atenas que eu tinha planejada para a próxima semana. Troquei ela por essa e ironia, vejam o que deu. Essa coluna toma muito do meu tempo e da minha energia, vocês não tem noção. Mal consigo escrever uma por semana, quiçá duas. E depois do texto da semana passada que vocês receberam tão bem, eu peço até desculpas pelo fail. Mas o texto que eu tenho guardado na cachola é muito mais legal, pode acreditar que a espera vai valer a pena.