Hoje é sexta, dia da sua nem-tão-semanal Atenas, a coluna focada nas mulheres espalhadas pelo heavy metal, hard, rock, e entretenimento num todo. Eu não tinha ideias para o próximo texto, mas depois do mundo ter uma semana tão triste e negativa, resolvi dar um duplo twist carpado no passado e resgatar uma das minhas memórias mais legais. Para aliviar a vibe, sabe?



Sou uma ameba em jogos de luta. Passo raiva, mas ainda assim gosto deles, sobretudo se forem Marvel vs Capcom, Double Dragon ou The King of Fighters 98, pois você sabe que eu respeito nos novinhos, mas eu vivo mesmo é com a cabeça nos games das antigas. E toda essa coisa começou lá atrás, sei lá quando, por esporadicamente alugar Street Fighter II numa das locadoras aqui perto. Sinto saudade desse tempo das locadoras, sabe? A jogabilidade era toda dura, os cenários altamente pixelados e uma trilha sonora eterna, sobre a qual eu falei um pouco nesse post.

Guile e Ken foram raiva a primeira vista. Eram dois chatos dois quais eu até passava, mas não sem levar duas ou três surras. Balrog? Com aqueles ganchos em sequência (como um boxeador consegue ser tão rápido?) dá raiva só de lembrar, eu ainda odeio ele muito mais do que o Tiger Robocop chato do Sagat. Nesse meio tempo fui criando gosto por jogar mais com um ou outro personagem, onde Vega (!) e E Honda saíram como favoritos.



A quem eu quero enganar? Ainda gosto do Vega pelo charme da personalidade narcisista e assassina dele. Vega era rápido e estiloso com as garras, eu gostava muito de usar o rolamento que terminava num ataque bem útil. Isso quando eu encaixava o ataque, mas ainda assim. O cenário dele era para mim o mais legal também. Já o E Honda era simples: sair estapeando por aí, voar de vez em quando se preciso. Mas, como tudo na vida tem que ter um mas, a adaptação estava com os dias contados quando comecei a empacar aqui:


Mesmo em Street Fighter II o Ryu já era um personagem muito ágil e forte, o infame apelão, então a velocidade do Vega dava ruim, pois lhe faltava força, já a força E Honda não colava justamente pela falta de velocidade. Passei várias batalhas testando outros personagens, nunca davam muito certo, e pior ainda era quando o Ryu caía exatamente antes da fase bônus e eu queria me divertir destruindo o carro (era o que eu mais gostava no jogo, além do Vega #tiete). Foi aí que surgiu a Chun-Li.

Eu não ligava de jogar com a Chun-Li. Na verdade até meio que duvidava se a personagem era realmente eficiente, pois a minha experiência da época com personagens femininas em games -Blaze, de Streets of Rage, Sonya Blade, de Mortal Kombat- não foi grande coisa. Ainda assim, testei jogar a Chun-Li porque sou curiosa, e aos poucos aprendi a passar o Ryu. Peguei meio jeito dos golpes e o Lightning Kick se tornou meu favorito, até hoje adoro o efeito visual dele! E o mais importante: a capacidade de saltar das laterais da tela e fugir do hadouken, e o chute que eu apelidei de chute com o calcanhar, mudaram a vida.


Às vezes eu ainda assim perdia, mas com a confiança de que na próxima a surra seria menor. Às vezes era, às veze não, mas era divertido por demais.

Com o tempo e a chegada da tecnologia, tive acesso a internet e as Wikis da vida que me permitiram ler sobre a história de vários jogos, pois algo que eu gosto bastante é saber a história dos jogos, principalmente dos jogos de luta. As origens dos personagens, relacionamentos uns com os outros, suas motivações, por isso descobrir que a Chun-Li foi primeira personagem feminina jogável da franquia Street Fighter, bem como da história dos jogos de luta foi muito interessante. Acabou até me "aproximando mais dela", e em outros jogos onde a Chun-Li está disponível para jogar, lá estamos nós duas, dando e levando surra juntas.

Street Fighter II foi o jogo de luta da minha infância que me interessou mais. Mesmo Mortal Kombat, o único rival à altura da franquia da Capcom na época não ganhou minha simpatia, pois mesmo hoje eu considero o excesso de gore que o jogo tem como um exibicionismo enjoado por demais, que não me empolga e na época às vezes até assustava (e por isso eu odiava o Noob Saibot). Isso sem falar da representação visual tosca do visual das mulheres, afinal mal sabia eu no que Mortal Kombat e Street Fighter se tornariam no futuro, e a inocência de criança é tão boa...

Ainda assim, memória é memória. Street Fighter II tem um espaço especial no meu coração nerd. E foi assim, graças a essa circunstância hue da vida que eu aprendi e passei a jogar apenas com a Chun-Li no jogo.