Hoje, 4 de julho, é o celebrada a independência dos Estados Unidos. E nesse dia (mais alguns outros) sempre acontece um fenômeno muito interessante: o brasileiro se intromete num assunto que não é da sua conta. Normal. Nós estamos entre os principais consumidores do modo de vida, e dos produtos americanos, esquecendo de viver as próprias vidas e copiando a terra do Tio Sam em tudo, até nos defeitos.

Não tenho nada contra consumir os produtos americanos. Nah. Você pode ver que eu escrevo bastante sobre coisas americanas aqui no site, muito da Marvel e às vezes da DC, por que sejamos sinceros... Quem nunca foi atingido pela cultura americana? Direta ou indiretamente, desde jovem ou quando mais velho? Nem sempre dá para correr disso.

Alguns aspectos do entretenimento americano eu gosto, outros não aguento, mas o que me incomoda é ver o Brasil, em 2015, ainda tão fascinado com a ideia de imitar os norte-americanos. E nem digo pela política, digo na cultura mesmo. Muitas vezes filmes, jogos, séries, HQs, bandas (...) são idolatrados não pela qualidade, mas por virem de onde vem. Nós não sabemos filtrar, nem ver que (por exemplo) bandas boas e ruins existem lá e aqui.

Pior...

...Nós sempre queremos ter opinião sobre as notícias de lá, e embora seja bom ficar em dia com o que se passa no mundo, às vezes nós esquecemos que problemas sociais, econômicos, políticos, causas para defender, coisas para a justiça aprovar ou não já existem aqui, no Brasil. Fique pensativo(a) com lá, mas se preocupe ainda mais com o que acontece aqui, olhe para o próprio quintal também. Não arranca pedaço.


Por isso eu torço o nariz quando vejo gente comemorando o halloween, por exemplo. A data tem origem nas celebrações dos povos celtas, mas o brasileiro "comemora" por que acha interessante, ou por que os americanos popularizaram o dia? Mistério define. Também acho incrível como quase não vi/vejo discussões sobre como o Capitão América é a tradução do nacionalismo americano.

Se elas existem, entretanto, fica o falha nossa aqui.

Veja: eu não sou anti-capitalista-pachequista-em-defesa-da-soberiania-brasileira. Nem de longe. O Capitão é o Vingador que eu mais gosto (depois da Viúva Negra), estou lendo uma minissérie do Deadpool, ouço Kamelot, Halestorm, Dream Theater, Trivium, assisto automobilismo americano desde 2008. Torço por uma piloto americana. Gosto de Agent Carter, adoro Agents of Shield 24 Horas, série essa que é das coisas mais americanas que existem

Assisti 24 Horas: Viva Um Novo Dia sim, vibrei e chorei sim. Só que eu também não sou uma "baba ovo". Eu tento manter o bom senso.

Vou elogiar e criticar qualquer um/coisa, venha de onde for. Estados Unidos, Brasil, Japão, Finlândia, Transilvânia. Sou sim a favor de nos inspirarmos em certos traços do entretenimento americano, que dá show e envolve o espectador (assista a NASCAR e tire a prova), porque coisa boa serve para isso mesmo. O nosso cinema, por exemplo, precisa ter aulas diárias com o de lá, idem as nossas séries.

Coisa ruim (e aqui eu destaco: Big Brother) a gente deixa lá, com eles.

sdds, Jack.

Eu me esforço em lembrar que o mercado nacional importa, mesmo que esse mercado também não se ajude e tenha uma postura que deixe muito a desejar, mas enfim. Crítica feita, a gente segue no pique de umas músicas sobre os Estados Unidos:


1. Five Finger Death Punch - The Pride
Essa música resume de forma 100% perfeita o sentimento do que eu quis dizer. Eles mencionam até a NASCAR! A letra é bem criativa pela ideia, apesar de usar versos simples, o tom de crítica reina e essa "pegada meio rap" do começo é muito boa. Dê uma lida na tradução.


2. Machine Head - In Comes The Flood
Outra música de tom deveras crítico, e aqui ele é até maior/mais aberto. A letra gira em torno de assuntos como consumismo, parte do ótimo álbum Bloodstone & Diamonds que a gente tem a resenha nesse link.


3. Sabaton - To Hell and Back
A banda é facilmente confundida como pró guerra por causa das letras, quando é justamente o oposto. O Sabaton é como um livro de história, conta momentos e coloca o sentimento, dor, tristeza conforme cada história pede, você tira as conclusões. Essa é sobre Audie Murphy, um dos soldados americanos mais condecorados da Segunda Guerra Mundial.


4. Anthrax - Indians
Essa eu não conhecia, achei enquanto fazia o post e achei interessante incluir. Nela o Anthrax fala da colonização americana na América do Norte, destacando as ações vergonhosas e os horrores sofridos por várias tribos, com falsas noções de paz e um mundo sem preconceitos. E é bem dentro do personagem porque o vocalista, Joey Belladona, tem descendência parcial indígena.


5. Bruce Springsteen - Born In The U.S.A.
Críticas à parte, hora de reconhecer uma boa música mais leve, positiva, animada e bem tocada por um dos ícones da música americana. Já ouvi a música bastante no rádio, e ouvi esses dias no canal de áudio da Sky, bela ironia. Gosto dela e seja num post positivo, negativo, ou neutro sobre os Estados Unidos, não poderia faltar.