Mais uma quarta, mais um round de resenhas nacionais. Hoje eu tenho outra sobre um álbum que eu achei bem interessante, porque apesar do Inertial Frames não ser a vertente do metal que eu ouço com mais frequêcia, o Greensleeves conseguiu unir certos elementos bem particulares, o que no final me fez curtir as músicas e ver pontos positivos no CD.
Por que ouvir Inertial Frames?
Porque tal como eu disse, ele combina elementos já conhecidos, mas que você não exatamente espera ver juntos. A banda pende para o metal progressivo, o que poderia ser um problema pra você que é ou anda muito impaciente para digerir esse tipo de som. Eu entendo o sentimento. Mas a banda não segue a rota do virtuosismo das suítes longas com músicas ultra trabalhadas, pelo contrário. Os curitibanos criam melodias bem trabalhadas e de média duração.
Sinceramente.. Acho isso ainda mais desafiante. Comprimir o virtuosismo progressivo em músicas de duração mais radio friendly, em média na casa dos 5, 6 minutos. Ok, existe uma faixa de 10 minutos, mas é só ela. A banda se dá bem nesse terreno que se parece em muito com o que o Fates Warning (uma das referências da banda) também segue. Ou do Dream Theater resumido de músicas feito "You Not Me", "Forsaken" ou "Constant Motion."
E eu não canso de dizer o quanto eu adoro álbuns onde o baixo se destaca! Fiquei muito feliz de ver o destaque que deram ao instrumento, sempre marcante e fácil de ouvir, ao invés de "servir para tapar buraco." De forma geral a banda vai muito bem, performance sólida agradável, gostei como os curitibanos conduzem as músicas. Não chama a atenção de primeira, mas também não deixa de chamar a atenção. Agora de longe o elemento mais, mais legal desse álbum são os vocais..
Graças a Deus o heavy metal é um gênero musical sem regras do tipo como ser um(a) vocalista de heavy metal, então existe todo tipo de voz: gutural, lírica, pseudo lírica, doce, aguda, grave.. No caso do Greensleeves é como se a banda tivesse contratado o Bruce Dickinson pra cantar! Desde quanto eu assisti o video de "Fireflies" no canal da BlankTV* que eu tinha reparado nisso. O timbre do Gui Nogueira é bem parecido com o do Bruce, mas não fica a sensação de plágio, o que é um alívio. Ele não abusa dos agudos, por exemplo.
Fora que também aconteceu uma coisa que acontece muito comigo: geralmente o conjunto da ópera não me chama a atenção, e sim trechos aleatórios das músicas, pra daí sim reparar nas músicas como um todo. Nada de ruim com a banda, é mais um sistema pessoal.
Fotos do CD físico
A arte é ligeiramente simples, mas é bonita e eu até diria que combina bem com a sonoridade que a banda se propõe a fazer, porque você me conhece... Você sabe que eu presto atenção até na sinergia entre as músicas e a músicas de um CD. (ou a falta dela) Gostei do desenho da capa e o jogo de cores, agregou valor. Com isso eu quero agradecer a banda por nos presentear com uma cópia física do CD, e ao mesmo tempo me desculpar pelo atraso imenso em mostrar ela ao mundo...
..Tempos corridos, vida loka, imprevistos.. Mas a gente não pode parar. (mesmo com os atrasos)
Outro detalhe ultra sutil que eu gostei: o fato de o verso do CD vir com os links das redes sociais da banda. Porque são detalhes assim que fazem a diferença e podem acabar trazendo as pessoas. (!)
PS: a câmera do meu smartphone não é nossa que definição 4k, mas ela me livra do sufoco. É só clicar nas setas pra ir e vir pelas imagens.
Greensleeves - Inertial Frames
Destaques
"Broken": eu adorei o começo dessa música. Mesmo. A melodia que se desenrola mais ou menos até 01:20min tem aquele feeling bonito e pra cima, surpresa positiva pela forma como a faixa quebra o ritmo das anteriores, deixando o ouvinte respirar. Engraçado como as bandas têm esse padrão de fazer baladas/semi baladas/genéricos e batizar de Broken.
"Fading Heroes": outro começo muito bom. Esses dedilhados pegam a minha atenção fácil. É legal sentir a forma do músico tocar. Mas não demora muito e a música entra num metal cadenciado, cuja pegada no fundo lembra o Iron Maiden, mas sem plagiar, eu insisto. Plágio e inspiração são coisas diferentes, embora nem sempre pareça. Performance sólida dos vocais.
"Lich Bride": essa faixa já é bem mais agressiva, tem até uns momentos breves que são rápidos. O Gui também mandou super bem nos vocais. Já as guitarras marcam presença com mais força, fazendo um bom combo com a marcação e mudanças do ritmo feitos pela bateria. Novamente o baixo não fica esquecido, pra minha alegria.
Conclusão
A grande verdade é que eu nunca cliquei 100% com o metal progressivo, mas eu aceitei de coração aberto o desafio de ouvir o Inertial Frames. Não me arrependo. Quem ouve som progressivo com mais frequência não vai se desapontar, e os fãs casuais vão ter coisa para mastigar, evitando assim o tédio. Parabéns aos envolvidos.
Links relacionados
Formação
Victor Schmidlin - guitarra
Cicero Baggio - guitarra
Gui Nogueira - vocais
João Koerner - baixo
Luis Requião - bateria
Tracklist
1. Fireflies
2. Unsolved
3. Construct
4. Dyschromatopsia
5. Decoding Love
6. Broken
7. Fading Heroes
8. Seed of Ego
9. Lich Bride
10. Fixed
11. Inertial Frames of Reference
12. The Little Things




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