Foi confirmado pelo diretor de conteúdo e operações do Youtube, Robert Kyncl, que o Google irá lançar um serviço de streaming no Youtube, notícia que até então era boato devido a falta de informações oficiais. Entretanto, com o renegociamento de contratos para firmar as bases do novo serviço, surgiu uma polêmica: selos independentes se recusam a assinar os novos termos.
Segundo Kyncl, em entrevista ao Financial Times, os vídeos de artistas independentes podem ser bloqueados em "questão de dias", caso as novas licenças não sejam negociadas, decisão que pode derrubar os vídeos de artistas tais como Adele, Artic Monkeys e Radiohead. Da parte dos selos independentes, a desconfiança direcionada ao Google se baseia na nota publicada pela Worldwide Independent Network no mês passado.
A organização, que representa diversas gravadoras ao redor do mundo (inclusive brasileiras), afirma nessa nota que o Google fechou bons acordos com as três grandes gravadoras (Sony, Warnet e Universal), mas está abordando pequenas empresas para pressioná-las a aceitar termos desfavoráveis e valores piores que os pagos por serviços como Deezer, Spotify e Rdio.
Nota: para quem não sabe, o Spotify paga de US$ 0,006 a US$ 0,0084 por música executada
Falta de respeito
Alisson Wenham, que dirige a Worldwide Independent Network, afirma que o Youtube está cometendo um grave erro de julgamento comercial ao fazer uma leitura errada do mercado:
"Temos ajudado e continuaremos a tentar ajudar o YouTube a entender o quão importante é a música independente para qualquer serviço de streaming, e por que ela deve ser avaliada adequadamente. Ao negar não dar aos seus assinantes o acesso à música independente, o YouTube está se preparando para o fracasso... A grande maioria dos selos independentes ao redor do mundo estão decepcionados com a falta de respeito e compreensão demonstrado pelo YouTube".
Geoff Taylor, presidente-executivo da BPI, organização que representa as gravadoras britânicas (incluindo as três grandes) diz que é errado o Youtube, plataforma de vídeo online dominante, ameaçar banir certos independentes, uma atitude acabaria negando aos fãs a oportunidade de ouvir sua música, os selos e os artistas a oportunidade de ganhar a vida com isso, pois eles não estão dispostos a se renderem ao ultimato.
O Impala, órgão que representa selos tais como XL Recordings, 4AD, Cooking Vinyl e Domino, apelou à Comissão Europeia para obter ajuda em sua batalha contra o YouTube.
Fonte de receita
Mesmo que o bloqueio prossiga, existe a possibilidade do conteúdo de artistas assinados com gravadoras independentes permanecer disponível no Youtube através de canais como Vevo. Entretanto, os vídeos exclusivamente licenciados por gravadoras independentes, tais como sets acústicos ou performances ao vivo podem ser retirados.
Um porta-voz do Youtube disse à BBC: "Nosso objetivo é continuar a fazer do YouTube uma experiência musical impressionante, tanto como uma plataforma global para os fãs e artistas para se conectarem, como uma fonte de receita para a indústria da música", decisão que esbanja nobreza, mas que remete a outra há alguns anos trás cujo final não foi dos melhores.
Last.fm
Se você é ou foi usuário da Last.fm, nunca mais esqueceu o dia em que o serviço passou a ser pago. Foi em 2009 que sem explicação aparente, os usuários precisaram desembolsar a quantia de 3 euros mensais para ter acesso às rádios online, com a empresa liberando uma prova de 30 músicas na tentativa de converter os assinantes gratuitos em assinates pagos, ideia que se transformou em um total desastre.
O site The Guardian publicou em março desse ano que a Last.fm "mataria" no mês seguinte as assinaturas pagas para compensar as perdas, que em 2012 alcançaram a marca de £* 4 milhões em impostos, bem como a queda de receitas, que caíram 21% anualmente até chegarem a £ 6.38 milhões. Desse total, a renovação de assinaturas caiu 12% e fechou em £ 1.55 milhões, enquanto as receitas de publicidade caíram 23%, atingindo £ 4.33 milhões.
* £ - libra esterlina, moeda britânica
O futuro daqui em diante
Se a incerteza anterior a confirmação era grande, agora é maior ainda. Apesar de o serviço de streaming do Youtube não ter tido o valor da assinatura divulgado, ele começará a ser testado nos próximos dias, com lançamento para o grande público programado para ser feito até o final do verão americano, o que no Brasil equivale entre junho e setembro.
Um dos principais argumentos é que haverá a possibilidade de assistir os vídeos sem os criticados anúncios publicitários, e eu pergunto: mais vale asssistir 5 segundos de um vídeo chato, clicar para ocultar um banner irritante, ou ser obrigado a pagar para acessar o conteúdo da sua banda favorita?
Desde já uma consequência é certa: a queda da oferta e acesso ao conteúdo que mesmo nós, metalheads, temos o risco de sofrer se o Google cumprir a ameaça e até onde a extender. Sei que eu estou trabalhando com hipóteses, mas dado o cenário, até gravadoras feito Metal Blade Records, Massacre Records, Century Media Records e a gigante Nuclear Blast podem ter suas operações comprometidas.
No que concerne ao Hardmetal Brasil a divulgação de bandas independentes, o Monday Metal e as resenhas podem ficar na berlinda, mas não, o blog não irá morrer. O caso Last.fm demonstra perfeitamente o grau do tiro no pé que o Google se prepara para dar, pois se a revolta resultou na migração para outros serviços (primeiramente migrei para o Reverbnation e depois para o Spotify), não subestimem a capacidade de isso acontecer novamente.
As plataformas existentes têm uma brecha para crescer a medida que absorverem o público descontente, selos independentes rejeitados e os artistas prejudicados. Por sua vez, o cenário abre a possibilidade para o surgimento de novas plataformas, algo que não me surpreenderia.
Eu continuo acompanhando a novela em off, e caso surjam novidades, vou repassar pra vocês na primeira oportunidade. Vocês, se tiverem mais informações ou verem novas informações saírem com o tempo, não se acanhem de compartilhar nos comentários desse post ou na página do Hardmetal Brasil no Facebook.




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