Nada como na primeira vez que você ouve um álbum, a experiência além de ser músical, é física: as guitarras mexem com a sua adrenalina, os splashs da bateria te animam cada vez mais, e as linhas vocais são potentes ao ponto de fazerem você se sentir invencível. Em poucas palavras é assim que podemos definir War Eternal, novo álbum do ARCH ENEMY.


Mas antes, fomos surpreendidos por Angela Gossow anunciando que deixaria os vocais para se dedicar ao trabalho de manager. A notícia gerou um pânico grande e justificado, afinal Angela ocupou o posto desde 2000, mas, novamente surpreendendo, a banda levou pouco tempo para anunciar que a sucessora seria Alissa White-Gluz, recém saída do The Agonist.


Novo choque, e uma série de mudanças para absorver..


This is hype eternal

A chegada de Alissa deu um boost de publicidade imediato, e a hype em torno da sua estreia cresceu com o lançamento dos singles "War Eternal" e "As The Pages Burn", o cartão de visitas do Arch Enemy para mostrar que é possível manter a participação dos membros antigos e dar vez e voz a um novo integrante. O resultado é um som que se mantém fiel ao death melódico sueco, mas com toques de novidade e até modernidade muito bem-vindos.


Começamos com "Tempore Nihil Sanat (Prelude In F Minor)", um prelúdio que não dá a menor dica do que vem em seguida, mas a consequência é positiva, pois deixa a veloz "Never Forgive, Never Forget" mais brutal e melodiosa, uma combinação estranha e excelente, e que aparece bastante ao longo das 13 faixas, 3 delas intrumentais.

Já esses instrumentais tem a função de quebrar o ritmo e fazer uma pausa ao som de riffs mais calmos e bonitos, que às vezes até lembram a guitarra de Mark Knopfler do Dire Straits.


A avalanche de temas e vocais

War Eternal mantém a abordagem dos temas de rotina do Arch Enemy, mas dessa vez deixa "humanidade" e "sociedade" bem mais em evidência, e eu arrisco que é outra consequência da chegada da Alissa, conhecida pelas composições que na maioria do tempo giravam em torno desses assuntos. Pra tirar a dúvida é só conferir o hit "Business Suits and Comand Boots".


Eu também arriscaria o palpite de que o foco nesses temas pode se tornar maior daqui em diante, principalmente tendo em vista o engajamento que Alissa tem em causas ecológicas (algo que também a tornou conhecida na cena female fronted), porém é uma dúvida que só o futuro vai esclarecer. Entretanto, já deixo registrado que não seria uma surpresa.


Quanto aos vocais, o departamento pelo qual os fãs mais temiam.. Não precisam temer. Mesmo sendo nova integrante, Alissa não é novata, muito menos boba. Ela aprimorou bastante os vocais, e apesar de ter sofrido a baixa de não poder mais usar a voz limpa, os gritos agudos que não poucas vezes acontecia de serem irritantes (mas mesmo assim eu gostava) ficaram no passado, e agora são guturais sólidos.


Essa rápida adaptação mostra não só a sua versatilidade, mas também o potencial que o Arch Enemy tem para explorar daqui pra frente.


Destaques

"No More Regrets" é uma das músicas brutais com guitarras agudas e refrão marcante, a primeira com esse perfil que me surpreendeu. "You Will Know My Name" começa calma, mas não se engane: em questão de segundos você vai ser acertado por alguns dos mais belos riffs do ano, desses que deixam sem palavras por um tempo. É a faixa que eu mais gosto no quesito guitarra.


Já Avalanche é mais cadenciada, mas tira suspiros graças a um detalhe inesperado: vocais limpos (!) Tudo se resume a no máximo 2 linhas, então é preciso ter atenção pra perceber, mas quando se percebe fica clara a inteligência do Arch Enemy em aproveitar esse elemento mesmo que de forma tão discreta, algo que só havia sido feito antes em "Anthems of Rebellion".


Conclusão

War Eternal é um exemplo em vários sentidos. Com o álbum o Arch Enemy mostra que ainda está na pista, e que os fãs não precisam temer. Além disso abre-se uma brecha para conquistar novos fãs, que inevitavelmente virão por causa da Alissa (eu me entrego, sou poser!), colocando a banda de vez no radar do female fronted, algo que até então não tinha acontecido de todo.


Um caso único onde ganham a vocalista, a banda e os fãs.


Formação


Michael Amott − guitarra, teclados
Daniel Erlandsson − bateria
Sharlee D'Angelo − baixo
Nick Cordle − guitarra
Alissa White-Gluz − vocais


Tracklist