Com o fim de parte da agonia acadêmica e a graduação cada vez mais próxima, estou de volta.
Na última sexta (23) o Within Temptation lançou "And We Run", o quarto e super aguardado vídeo da era Hydra. Dessa vez trabalhando com um diretor diferente (Tim Smith), a banda continua recorrendo ao conceito pós apocalíptico que tem feito sucesso e agradando, mas deixa novas dúvidas no ar.
Quando assisti o vídeo pela primeira vez, tive sentimentos mixados. Um dos pontos negativos da atual fase da banda tem sido inconsistência dos vídeos, que acertam na diversidade por abordarem temas diferentes e interessantes, mas falham em estabelecer uma conexão entre música e vídeo, brecha onde apenas "Paradise" não se encaixa. Nesse vídeo você entende a música, o vídeo, e a ligação entre os dois.
Vocês sabem que o Within Temptation é a banda do female fronted que eu mais gosto (junto com a Tarja), mas não posso deixar a minha admiração influir no meu julgamento, e apesar de ter gostado do vídeo, sim, eu tenho observações a fazer. Vou dividir a análise em 5 partes, um texto no qual você não é obrigado a concordar, mas é bem-vindo para ler e entender o meu ponto de vista.
Mas caso você seja um fã de pavio muito curto.. Siga com a leitura por conta e risco.
Mas caso você seja um fã de pavio muito curto.. Siga com a leitura por conta e risco.
- Música
Falar sobre And We Run enquanto música virou notícia antiga. O som combina um heavy metal pesado e bombástico (marca registrada no som do Within) com doses de rap cuja cara é bem pós apocalíptica, intensa e até bastante emocional, a partir do momento que explora a ideia o eu lírico temporariamente vencido pelas circunstâncias, pois ele ainda tem forças de lutar para se superar. Uma colaboração polêmica, inusitada, e que poderia se estender a outras bandas que enxerguem além da própria caixinha. Por que não?
O que leva eu e vocês ao segundo item.
O que leva eu e vocês ao segundo item.
- Contexto
"Às vezes somos pegos em uma situação onde não podemos ser nós mesmos; e seguir em frente pode ser difícil, mas é necessário manter-se fiel a quem você é. Escapando da escuridão, resolvendo seus problemas e indo em direção a um futuro melhor". O conceito que a banda usou para dar vida ao vídeo é humano, motivador, o tipo de mensagem que me encanta porque transforma a música e tudo que gira em torno dela em um elemento que ajuda as pessoas a encararem os seus problemas, e não a correr deles.
Um ponto alto que nos leva ao terceiro item.
Um ponto alto que nos leva ao terceiro item.
- Produção
O fato de o Within não ter trabalhado com o infame Patric Ullaeus criou alívio geral, e abriu o horizonte para outras ideias visuais que incluriam mais uma vez o uso de computação gráfica e do Chroma Key, esse último um recurso do qual não sou a mais fã, pois a famosa tela verde permite fazer milhares de coisas, inclusive passar da conta. Entretanto, é graças a esses recursos que o vídeo cria a sua noção de opostos: de um lado o dark noir, e do outro, a beleza forçada do cenário onde a banda se encontra.
E essa é a ponte que nos leva ao quarto item, o item crítico do post.
E essa é a ponte que nos leva ao quarto item, o item crítico do post.
- Banda
A apatia da banda ao aparecer no próprio vídeo me surpreendeu negativamente, justo uma banda que há não muito tempo colocou a casa abaixo com a energia demonstrada no simples vídeo de Faster. Com a atuação em And We Run o Within Temptation inverte os pontos e se transforma no convivado ao invés de ser o protagonista, seguindo apenas a ideia de certo, vamos ficar aqui tocando enquanto você manda forças para o Xzibit se libertar, Sharon.
Essa atitude acaba por não acrescentar nada ao vídeo, e além de não interagir com o rapper a banda não interage com a própria história. Fazem apenas o acréscimo estético de uma belíssima Sharon den Adel em vestido branco que também me deixou em dúvida, pois o grupo está do outro lado, o lado que não tem escuridão, mas o lado onde a única pessoa usando branco é a vocalista. E se estamos jogando com a noção de claro/escuro, opressão/libertação, trevas/luz, esse detalhe quebra a mensagem.
- Xzibit
Ironicamente ele é a grande estrela de um vídeo que não é seu. Xzibit conquista com a interpretação cheia de energia, passando de maneira convincente a dificuldade do conflito entre a libertação e o seguir em frente Sua voz é pesada e anima o ouvinte, principalmente porque os trechos mais motivadores da letra são seus. No vídeo a melhor palavra que define o seu personagem é boss, numa corrida rumo a luz que termina com direito a uma linda e surpreendente cena de um muro sendo aberto aos socos.
Veredito
Talvez o Within pudesse ter explorado a ideia de opostos com mais simplicidade tal como o Lacuna Coil faz perfeitamente em "Trip The Darkness". Talvez o Within pudesse ter explorado mais o aspecto dark noir que o Gotthard usa tão bem em "Anytime, Anywhere". Talvez o Within pudesse ter olhado para própria videografia. São vários "talvezes". É uma música ótima com um vídeo de produção profissional, mas com uma ligação entre os dois feita de forma muito irregular.
Talvez o Within pudesse ter explorado a ideia de opostos com mais simplicidade tal como o Lacuna Coil faz perfeitamente em "Trip The Darkness". Talvez o Within pudesse ter explorado mais o aspecto dark noir que o Gotthard usa tão bem em "Anytime, Anywhere". Talvez o Within pudesse ter olhado para própria videografia. São vários "talvezes". É uma música ótima com um vídeo de produção profissional, mas com uma ligação entre os dois feita de forma muito irregular.



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