
Mesmo com meses de atraso, nunca é tarde para ouvir um grande disco e se apaixonar por ele. Se você colocar qualquer preconceito de lado e se preparar para um monte de melodias cheias de groove, não há chance de House of Gold & Bones lhe desagradar.
Falar da música americana sem pensar nos clássicos estereótipos é impossível, ainda mais se partirmos para o campo do rock e heavy metal. Quando pensamos nos artistas americanos frequentemente os associamos a músicas pré-fabricadas, sem alma, identidade, e de qualidade duvidosa.
Entretanto, o Stone Sour superou qualquer olhar torto com louvor na primeira parte da saga.
Nas palavras do vocalista Corey Taylor, o disco é um encontro entre The Wall do Pink Floyd, e Dirty do Alice In Chains. Trocando em miúdos, é a fusão do sentimento dark ao jeito progressivo de bolar conceitos, que aqui servem para contar a história de Human, muito bem explicada nesse link. Recomendo a leitura.
O som do Stone Sour tem alma moderna e ousada: em House of Gold & Bones a banda mistura melodias modernas, com toques de hard rock, thrash metal, vocais urrados, desesperados, mas sempre bem melódicos, bem semelhantes aos que achamos em conterrâneos feito o Five Finger Death Punch.
Apesar de ter uma trama geral, a sensação que se tem é que cada faixa conta uma "história dentro da história", obrigando você a repetir umas faixas mais do que outras, obrigando você a ouvir o disco mais de uma veze concluir que ele fica melhor a cada audição.
- Destaques
Gone Sovereign: Ótima escolha para abrir o disco, sobretudo pelo trabalho de Jim Root e Josh Rand nas guitarras, que tornam o primeiro minuto da música épico. É uma faixa dinâmica, paranóica e bem pesada;
Tired: Jim e Josh acertam de novo nos riffs. A voz de Corey e os violinos ao fundo convidam a cabeça, dançar e cantar. O refrão tem a melhor quebra de ritmo das 11 faixas por culpa das linhas de baixo. Minha faixa favorita;
Influence of a Drowsy God: A melodia mais lenta cria um bom clima de suspense. Os vocais alternam facilmente entre a emoção e a agressividade, o que combina perfeitamente com a interpretação dramática e questionadora que Corey dá à letra da música.
- Conclusão
House of Gold & Bones - Part I é uma montanha russa de sensações, mantendo a intensidade e o peso em todos os momentos, seja o peso das guitarras ou da interpretação das letras. Corey joga pela janela qualquer chance de ser rotulado (pela milésima vez) de poser ou coisas do tipo, pois a sua versatilidade deixa uma ótima impressão desde a primeira audição do disco.
Uma excelente esperança para quem pensava que o rock americano estava morto.
Formação
Corey Taylor − vocais, piano
James Root − guitarraJosh Rand − guitarra
Roy Mayorga − bateria, sintetizador
Rachel Bolan − baixo
Tracklist
1. Gone Sovereign
2. Absolute Zero3. A Rumor of Skin
4. The Travelers, Pt. 1
5. Tired
6. RU486
7. My Name Is Allen
8. Taciturn
9. Influence of a Drowsy God
10. The Travelers, Pt. 2
11. Last of the Real



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