Depois de assistir o video de Victim of Ritual um bom número de vezes, decidi escrever uma análise sobre ele. Vou dividir o texto em duas partes, numa interpretação que obviamente pertencem apenas ao blog e a mim. Se você concordar, fico feliz. Se não concordar, não se acanhe de ignorar o post.


Nota: o post está longo, pois tem bastante imagens. Sendo assim leia com calma e clique para ver algumas delas em tamanho original, se achar melhor.

  • Video
Tarja veio com uma ideia conceitual e até bem poética, algo que havia sido feito de fato apenas na versão II de Until My Last Breath. Aqui deusa personifica a criatividade em si, aquela que confere cores a nossa vida, que é uma escuridão quando ela está ausente. Para ilustrar melhor, foram escolhidas três manifestações de arte:


A música

A pintura

E a dança.


No início os personagens aparecem quase sem expressão, ou com diria a música, hardly breathing. Indo além, o bailarino sequer revela de imediato que é um bailarino. É aí que surge Tarja e ao caminhar entre eles, presenteia cada um com uma cor diferente:


Para música, o amarelo, que é lançado na partitura. A cor representa o calor, a felicidade, e é aquela que desperta a criatividade e o raciocínio. Afinal, acham que o McDonald's a usa por acaso?



Para o pintor, o vermelho, lançado sobre a paleta de cores. A cor representa a paixão, o desejo, o amor e a energia. Bem propício para quem traduz emoções em imagens muitas vezes chocantes, apaixonadas.



Para o dançarino, o azul. A cor representa a calma, a serenidade e a harmonia, fatores fundamentais para executar os mais belos e difíceis movimentos com o corpo. Por isso foi lançado apenas nos pés.




Resumindo, se você entender o conceito por trás de Victim of Ritual, você entende uma das interpretações que melhor define o conceito de Colours In The Dark.


Falando de detalhes técnicos, os cortes do video estão muito bons. Eles ajudam a aumentar a carga teatral e cinematográfica, sobretudo nos trechos do How did you end up in hell? Ponto também para Tarja, que poucas vezes esteve tão expressiva e bonita, numa interpretação que permite sentir a música, e não apenas ouvir.

  • O clímax

A metade final do video reserva as melhores cenas. Se lá no começo figuras estranhas perseguiam Tarja, agora todos se encontram e começam a luta entre cores e escuridão, criatividade e tudo o que nos afasta dela. Ponto para a maquiagem, muito feliz em como deixou o rosto da cantora dark e ameaçador.



Por um momento os bandidos parecem que vão vencer, quando chegam os reforços! Foi uma saída na qual eu não esperava e que muito me agradou. Nossos três personagens entram na briga atirando suas cores em estilo cinematográfico, tudo para resgatar a criatividade quase perdida.


 (Reparem que quando Tarja cai no chão, as cores do quadro tornam a ficar negras, as notas somem da partitura, e o bailarino subitamente para de dançar)




Os mascarados são postos pra correr, e vemos o final com uma analogia: a morte dos personagens. Digo isso, pois, fazendo um paralelo, o branco é a cor que representa a paz, a pureza, e alivia a sensação de desespero, ou de tensão se tomarmos o video como exemplo. No Japão a cor também representa o luto.


 

Cada um toca o braço da cantora com suas respectivas cores, e por fim, Tarja volta a vida. Todos então voltam às atividades de de antes, porém vestidos de branco e mostrando mais ânimo que antes. Digamos que o branco representa aqui o momento de paz que a criatividade proporciona ao dançarmos, cantarmos, pintarmos, escrevermos, tocarmos um instrumento..

 É sem dúvida uma bela metáfora.

  • Música
E se o video está muito bem feito, Victim of Ritual enquanto música não deixa por menos. Ao longo de dois discos Tarja arranjou uma forma bem particular de unir o clássico e o rock, o que me permite a ousadia em chamá-la de Sarah Brightman do metal, visto que ambas vieram da música clássica, porém não passaram suas carreiras (completamente) dentro dela.

O começo é marcado por uma marcha e orquestrações pomposas. A guitarra tem um timbre familiar, muito presente em What Lies Beneath. Mike Terrana está acima de qualquer suspeita na bateria, mas o destaque vai para o baixo, que cria linhas marcantes e épicas, sobretudo no refrão.

Se continuarmos desse jeito, Colours In The Dark é sério candidato para estar entre os melhores do ano.