Visions of Atlantis - Ethera

Vision of Atlantis é uma dessas bandas que você conhece, mas nunca ouve, porque empurra com a barriga o dia de fazer isso. E bem, eu finalmente quebrei a regra com a audição de Ethera e posso dizer: é um disco incrível, cheio de vocais com muita energia. É por isso que a banda caiu de paraquedas nesse Resenhando.


A Áustria não é um país tão tradicional no heavy metal, porém possui algumas bandas na cena tais como Edenbridge, Xenesthis e o Vision of Atlantis, que apesar ter nascido sob a sombra do fato de ter se inspirado no Nightwish, não segue à risca o mesmo jeito de fazer música. Em Ethera talvez percebamos uma semelhança aqui e ali, mas no geral é um álbum diferente, e que me surpreendeu.


Logo nas primeiras faixas fiquei cara a cara com os detalhes que mais tenho gostado no heavy metal de uns anos para cá: vocais fortes e com "personalidade", e não interpretações inssossas. A fórmula não tem agradado aos fãs antigos, acomodados acostumados com uma sonoridade mais sinfônica e estranhando o destaque que Maxi Nil recebeu, justamente o que mais me agradou.


Maxi foge da regra pseudo lírica e suas variações, mantendo um vocal mais grave, com bom alcance e bem bonito. Juntamente com Mario Plank ela compõe um dueto que às vezes soa fora de sincronia, mas que não chega desapontar. Mario por sua vez lembra bastante o vocalista Andre Ferro do Lacuna Coil, porém numa versão cuja voz é ligeiramente mais afinadinha.


Destaques

Machinage: ótima faixa de quase abertura do disco. A pegada é parecida com a do Nightwish na era Tarja, porém com muito mais foco nas guitarras. O refrão é do tipo que eu mais gosto, os que facilmente se aprende a cantar;


Hypnotized: Maxi brilha quase sozinha na música, o que não é ruim, pois sua voz é bem versátil. Aqueles que questionaram a ausência de orquestrações provavelmente ignoraram essa faixa, que possui várias;


A.E.O.N. 19th: o começo cheio de pompa causa impacto positivo nos ouvidos. A melodia é criativa e as variações de ritmo prendem a atenção, principalmente pelo apoio que recebem das orquestrações.


Conclusão

Etherea não é o álbum mais mirabolante do metal sinfônico, porém sua simplicidade e crueza conquistam e fazem sorrir. É sempre bom ver talentos como o de Maxi Nil ganharem espaço no female fronted, que depois de muito sacrifício está passando por uma transformação e está trazendo novas bandas mais variadas, ou fazendo nomes mais antigos mudarem para sobreviver.


Vide Delain e Within Temptation, que alcançaram sua melhor forma depois de se reciclarem.


Apesar da suposta falta de criatividade o Visions of Atlantis oferece um material que une power metal, bons teclados e duetos combinados de maneira decente. Se você já curtia a banda, dê uma chance ao Ethera. Se nunca tinha escutado o grupo antes, faça isso.


Formação
Thomas Caser - bateria
Mario Plank - vocais masculinos
Martin Harb - teclados
Maxi Nil - vocais femininos
Christian Hermsdörfer - guitarras

Tracklist
1. The Ark
2. Machinage
3. Avatara
4. Vicious Circle
5. Hypnotized
6. Tialuc's Grace
7. Burden of Divinity
8. Cave behind the Waterfall
9. A.E.O.N. 19th
10. Bestiality vs. Integrity
11. Clerics Emotion