A vida na faculdade tem me ensinado muito além das matérias nem sempre tão interessantes, e uma dessas lições é bem fato: você sabe que se torna mais amigo de uma pessoa quando ambos os lados - que publicamente gostam de gêneros musicais diferentes - começam a conversar sobre a mesma banda.

Eu sou uma pessoa chata (novidade), pois não costumo me guiar muito por sugestões, gosto de descobrir as coisas por conta própria, paranóia que se eu ainda não confessei aqui no blog, confesso agora e anote.. Pois a chance de eu dizer a mesma coisa em posts futuros é grande, visto que sou inevitavelmente repetitiva.

O que me levou a conhecer o novo álbum do Linkin Park foi a aparição de um link na minha dashboard do Tumblr, mais exatamente do áudio de "Castle of Glass". Fiquei maravilhada com a atmosfera da música, quis ouvir o restante das faixas pra conferir se elas teriam o mesmo nível, mas um misto de esquecimento e preguiça acabou me vencendo. Foi quando dias depois uma amiga da faculdade me sugestionou ouvir Living Things, e eu passei a reconsiderar a ideia.

Sim, essa é uma das minhas maiores qualidades: me contradizer nas coisas que eu digo.

Mas retomando..

Raciocinei com meus botões: acho que não custa nada, afinal tô numa maré baixa de novidades, e agora tenho uma desculpa a mais.. E voilá! Nasceu a ideia de fazer o review.

Antes de qualquer coisa, aviso que não vou discutir o retorno às origens dos americanos, ou se o Chester atualmente grita menos que no passado, não mesmo. Vou me reter apenas ao Living Things, lançamento com arte de capa bonita, e envolvido num contexto que ironicamente acabou se encaixando ao meu momento pessoal atual. Nunca fui fã no. 1 de Linkin Park, porém passei a gostar de algumas músicas por influência de outra amiga (tomem nota: chata, contraditória e doida), tais como Papercut e The Catalyst, sendo essa uma das melhores dentre todas as tr00zices e som de poser que já conheci.

Voltando para o presente, o álbum dos americanos me chamou a atenção pelo retorno de guitarras mais audíveis, e o uso de efeitos eletrônicos diferentes dos que os que eu já havia escutado nos trabalhos anteriores da banda. O registro também é curto: nada de malabarismos progressivos com mais de 1 hora de duração, você ouve os 37 minutos divididos por 12 faixas enquanto baixa no Pirate Bay o seu filme favorito, por exemplo.

Destaques
Lost In The Echo: Excelente abertura. As distorções e as passagens rap de Mike Shinoda  envolvem o ouvinte, sendo o tipo de música que com poucas audições já fica memorizada, sobretudo o refrão. Os gritos de Chester se resumem a 1 verso, mas é um verso que faz um bom complemento ao som.

Castle of Grass: Uma das culpadas que me fizeram chegar aqui. Tem um ar meio melancólico, e é o momento onde o baterista Rob Bourdon brilha. Castle of Glass entrou recentemente na trilha sonora de Medal of Honor: Warfighter, game que sempre gostei pelas músicas, e que meses antes comecei a gostar de jogar. Nada como uma ironia, certo?

Roads Untraveled: Provavelmente a música mais lenta da lista e que além de ter uma letra muito bonita, tem (segundo Shinoda em entrevista) influência dos trabalhos folk do cantor Bob Dylan. A sequência de "sinos" durante os 3:49 criam a sensação de estarmos assistindo ao final de um filme de guerra.



Meu veredito

Living Things é um álbum agradável e que não vai fazer os seus ouvidos doerem. É fato que num dado momento você acaba se distraindo, mas puxe uma cadeira e convide o seu preconceito musical pra sentar nela, deixe ele de castigo um pouquinho e aprecie a experiência. Vai ser bacana, eu recomendo.


Formação
Rob Bourdon – bateria, percurssão
Brad Delson – guitarra
Dave Farrell – baixo
Joe Hahn – DJ, fonógrafo, sampler, programação
Mike Shinoda – vocal, rapper, guitarra rítmica, teclado, piano
Chester Bennington – vocal

Tracklist
1. Lost in the Echo* - 3:25
2. In My Remains - 3:20
3. Burn It Down* - 3:50
4. Lies Greed Misery - 2:26
5. I'll Be Gone - 3:31
6. Castle of Glass* - 3:25
7. Victimized - 1:46
8. Roads Untraveled - 3:49
9. Skin to Bone - 2:48
10. Until It Breaks - 3:43
11. Tinfoil - 1:11
12. Powerless - 3:44


*link dos vídeos oficiais