Não é segredo que eu sempre fui (e ainda sou) implicante com as vertentes extremas do metal. A estética de muitas das bandas não me agrada, o conteúdo das letras me parece desnecessário, ou as melodias são sujas demais pros os meus ouvidos. Entretanto, o Katatonia tornou-se uma exceção.

Falar de um grupo conhecido pelas músicas depressivas pode não ser a maneira mais animada de começar a semana (risos), mas o Monday Metal de hoje é agradável, eu garanto. Lançada originalmente no álbum Viva Emptiness (2003), Burn The Remebrance é característica do segundo momento da carreira dos suecos, onde eles investem mais na combinação entre o vocal limpo e harmonioso de Jonas Renkse e melodias atmosféricas.

Outro fator que agora marca a banda e Burn the remebrance é a influência progressiva mais evidente, o peso bem dosado e passagens calmas conforme ouvimos no começo da música. A letra é outra marca registrada: complexa e subjetiva, dessas que não tem um significado pronto ou fácil de pescar. Você a lê e entende da maneira que conseguir, ou dependendo do seu momento pessoal, e é por isso que se você nunca ouviu e quer ouvir Katatonia, eu recomendo que faça isso, porém deixo um aviso. 

Não é uma banda easy listening que fala de dragões e magos. Pode levar um tempo até você se acostumar com a atmosfera, sendo que cada música mexe bastante com os sentidos. Eu sei que de certo ponto não é assustador vindo de um grupo cujo nome faz alusão à palavra catatonia (do grego katá, que dentre outras coisas quer dizer tensão), mas o metal é isso: a vida constante no limite emocional.

Nota: o vídeo abaixo faz parte da coletânia de CD+DVD The Black Sessions.




Letra

Old light and new colours your picture hangs in the night
Is this the right time to set one free and go away
In the emptiness behind you I will walk about
Surely you'll miss me but long live the doubt

What will replace us
What will be our memory of this time
Second hand impressions
Hand them over so we can let it die

I remember one time when we were abroad
I was laughing at a book I had bought
But you were standing against the hotel wall
Frozen in an unknown though