Créditos: Linda Dahlberg
Digamos que Elize Ryd é o que o metal precisava há algum tempo: jovialidade, talento, beleza, e sensualidade sem vulgaridade. Afinal, a ideia da mulher como objeto sexual já cansou até a mim, que mesmo não sendo feminista hardcore, se sente no direito de perder a paciência ao ver mulheres em trajes tão mínimos  em certos vídeos. Enquanto elas acham que estão na vitrine do açougue, eu continuo aqui, acreditando na sensualidade saudável.

Só que antes de rasgar elogios, uma coisa eu preciso admitir: no começo não gostei da Anahí do metal. Atravessando outra fase musicalmente densa, explorando a depressão do doom metal, e o questionamento cultural do death melódico, dificilmente uma banda do nível do Amaranthe chamaria a minha atenção...

Não fosse pelo Kamelot.

Conheci o Epica graças ao dueto de Simone Simons e Roy Khan em The Hauting, mas não sou fã da banda. Adoro a Simone, porém nunca fui muito com a cara do Epica. Em 2012 vi algo parecido acontecer com o Amaranthe, que entrou pra minha seleta lista do "ouvir mais tarde" graças ao lindo dueto de Elize e Tommy Karevik em Sacrimony (Angel of Afterlife).

Pouco antes a história começara da mesma forma que começou outras vezes, por isso não sei quando ouvi uma música do Amaranthe pela primeira vez, só lembro de assistir o vídeo de Hunger no Youtube e de achar graça do quão RBD eles pareciam ser. Filmagem estilo Missão Impossível, guitarras distorcidas, efeitos eletrônicos, meninos bonitos e uma menina bonita, porque meninas bonitas ajudam a alcançar a fama mais rápido.

Com essa fórmula, despertar a paixão de headbangers menos esquentados com a pureza do metal não foi difícil, bem como atrair o ódio de bangers mais conservadores, ou então, deixar os posers iguais a mim alertas, aguardando quando Elize e companhia seriam dignos de nossos ouvidos. Comigo o dia chegou quando vi o video da simples e emotiva baladinha Amaranthine num dos grupos que participo no Facebook (o Within Temptation Brasil).

(Tudo porque não importa o quanto eu diga pro meu cérebro que não estou apaixonada, então dispenso entrar em crise existencial por causa de baladinhas, pois ele nunca me escuta)


Amaranthine: boa música, vídeo nem tão ruim assim

Voltando ao assunto que nos trouxe ao post, uma dúvida de rotina deve ter surgido. De onde veio Elize?

Eu respondo: da Suécia. Sim, o país é tradicional em revelar bandas de death melódico, além de ser conhecido por ilustres filhos ogros como Mikael Stanne e Angela Gossow, só que dessa vez a Suécia deu a luz à uma voz delicada, e que não é vocalista do ABBA ou Nightwish. É a prova viva de que pode mesmo vir alguma coisa boa de Nazaré.

E se pesquisarmos mais, veremos que a jovem de 28 anos começou a carreira cedo, e que esta não é fruto do acaso. Aos 13 anos, Elize ganhou na escola o prêmio de "cantora mais promissora". Quando terminou o ensino básico, decidiu seguir a carreira artística e passou três anos no  Kongahälla High School Musical Line, sendo premiada por ter "a mais bela voz".  Caso a comparermos às outras vocalistas, vamos encontrar até um diferencial bem curioso: Elize também é dançarina. Não é nada que vá mudar o mundo, mas é interessante saber. É mais um ponto a favor da renovação de um gênero musical tão conservador.



Apresentação ao vivo de Nights of Arabia, com o Kamelot
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