Não posso negar que fui apresentada ao heavy metal através do Nightwish. Na época (2004) soou diferente e bombástico a combinação entre vocais "operísticos", orquestrações e rock pesado, criando uma atmosfera gótica. Era algo que eu não conhecia. Pouco tempo depois a banda estava entre as minhas favoritas, e Tarja entre as cantoras que eu mais gostava, metaleiras ou não.
A aparência pálida tipicamente escandinava, a voz potente e o figurino exótico foram as características que me chamaram a atenção e que causam impacto nas pessoas até os dias atuais, embora eu ache que mais por curiosidade do que por espanto. Porém todo o fascínio converteu-se em choque no dia em que eu soube da sua demissão.
Justo quando eu estava começando a me apegar a banda, foi uma das primeiras coisas que pensei quando me contaram a novidade ingrata, afinal eu não só havia descoberto uma banda, mas todo um estilo musical e maneira de ver a vida a partir dela. E como boa viúva que fui, lamentei a saída de Tarja por dias, até que chegasse aquele em que seria anunciada a contratação da nova vocalista do Nightwish, a sueca Anette Olzon, ex-vocalista da banda de hard rock e AOR Aylson Avenue, que já começou a trabalhar com uma imensa responsabilidade em mãos e pressão sob os ombros. Levou um tempo até que eu finalmente passasse a gostar da sua voz, fato que mudou quando assisti pela primeira vez o video de Bye Bye Beautiful.
Entretanto tenho essa dúvida até hoje: se Bye Bye Beautiful me conquistou mesmo pela voz de Anette ou pela criatividade da letra e o conceito do vídeo, de fazer-e-não-fazer uma referência a saída de Tarja, uma das ideias mais interessantes que vi no metal até hoje.
Anette em primeiro plano, Tuomas e Emppu ao seu lado.
Mais atrás aparece uma parte do corpo do baixista Marco.
A rivalidade entre fãs novos e antigos chegou à níveis incríveis, era até um pouco assustador ler ou ver a disposição das pessoas em defender e atacar (como se isso aqui fosse um campo de guerra..). De um lado, os seguidores da deusa eterna, e do outro, os animados com o novo Nightwish, por fim, esquecidos ali num cantinho estava eu e uma meia dúzia dos doidos que gostaram das duas vocalistas. Porém os anos passaram e muita coisa mudou: a banda entrou em hiato após lançar e promover o Dark Passion Play, Tarja lançou o My Winter Storm (2007) e What Lies Beneath (2010) para firmar o seu trabalho solo, mesmo que ainda sendo inevitavelmente vinculado a lembrança de sua antiga banda.
Expressar qualquer opinião sobre esse assunto é complicado, mas vou deixar a minha aqui: acredito que tanto fãs de Nightwish quanto tarjetes estão errados por em várias ocasiões tentarem parecer certos. A finlandesa fez parte da banda, ajudou a tornar o nome "Nightwish" famoso, bem como impulsionou a popularização do metal sinfônico feminino. O fato pode ser negado, mas não apagado da história. Por outro lado Anette é um sopro de novidade dentro de uma vertente do metal que é bem conservadora (e qual vertente não é? mas essa é outra discussão...), e admito isso mesmo não me identificando com o novo trabalho da banda, Imaginaerum.
Se o fã da Tarja não gosta da Anette, não significa que a Anette é ruim, ou que ele tenha o direito de ofendê-la.
Se o fã da Anette não gosta da Tarja, não significa que a Tarja é ruim, ou que ele tenha o direito de ofendê-la.
Logo, não fica difícil ver que esse foi um dos fatores que me fizeram desistir de acompanhar o trabalho da banda. Sou covarde, boba? Não sei, prefiro considerar que o Nightwish passou a não atender mais às minhas expectativas musicais, o que dada a fama dos finlandeses (e suecos) é uma heresia muito corajosa de ser dita, pois dificilmente vejo ou leio algo diferente de são a minha banda favorita de todos os tempos. Mas vejam pelo lado bom, ao menos estou sendo sincera com vocês. Como sempre.
Agora prefiro acompanhar a carreira solo da Tarja, o que não me deixa cega e impede de ver que o Dark Passion Play também foi um momento importante na minha vida, onde dei meus primeiros passos pra aprender a conviver melhor com as diferenças, sobretudo as musicais. Se posso deixar uma nota de rodapé pra concluir essa coluna eu daria um conselho prático e antigo: se você não gosta, não ouça. Listen and let listen. Seja você tarjete, tuomete, anettete ou uma gotinha no oceano igual a mim.



1 Comentários
Mudanças assim são difíceis, eu mesma demorei muito pra aceitar o fato de que a Tarja não era mais a frontwoman do Nightwish, eu aprendi a gostar da Anette. Eu parei pra escutar os novos trabalhos de cada um e acabei gostando de ambos. Claro, que a banda há muito não é mais a minha favorita! Mas uma coisa é certa a Tarja sempre será a minha preferida!
ResponderExcluirDeixe seu recado! Mas lembre que spams, ofensas e comentários anônimos não serão aprovados.