Se me perguntassem qual forma de arte eu acho que tem mais poder de mudar a vida de uma pessoa, eu diria sem dificuldade que é a música. É um meio tão poderoso de nos jogar ou tirar de nossos buracos emocionais que seja descontraída, ou seja mais séria, toda música deveria ser feita com a vontade de transmitir uma mensagem realmente importante, independendo se as pessoas levam ou não a música a sério.


O artista deveria curvar a cabeça apenas para a sua criatividade, afinal a essência de pintar, desenhar ou musicar é essa: ser egoísta. Por culpa desse e outros pontos de vista tão românticos que tenho sobre cultura ou arte que ainda consigo ficar chocada com fatos feito esse que originou a "Nós somos true" da vez.


Um fato que deixou tão triste que me levou a parar tudo o que estava em andamento no computador e abrir um novo post no blogger pra poder escrever. E mesmo que seja repetitivo gosto de deixar claro: defendo a boa música, mas defendo principalmente o heavy metal, pois foi o gênero musical que mais me ajudou a crescer como pessoa, seja bonitinho ou não.


Aos chatos anti-música pesada que acham que sou preconceituosa, ou os metaleitos elitistas que pretendem encher a minha paciência por não ser true o bastante, deixo sempre o meu perfil na Last.fm pro caso de precisarem fazer um tira-teima.


E falando finalmente do caso que nos traz até aqui, a explicação: graças a uma de minhas leituras musicais no Facebook descobri que a Warner Music, dona desde Novembro de 2010 de 100% das ações da Roadrunner Records (uma gravadora tradicional no cenário metálico), teria barrado um lançamento de heavy metal por não ser comercial o bastante.



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Embora não seja das bandas mais tietadas do female fronted, o Delain conta com boas músicas, bons músicos e uma base de fãs, afinal sem estes os holandeses não teriam tantos motivos para permanecerem na ativa (eu diria). E foi o mesmo Delain que doou a sua dedicação, tempo, e porque não dinheiro para ver We Are The Others ser barrado pela gravadora.



OK, sem hipocrisias. Quem trabalha em qualquer ramo quer ganhar dinheiro, nem a música foge disso, porém o problema é quando isso deixa de ser a consequência do trabalho e passa a ser a prioridade, tornando a cultura um exemplo infelizmente real (como se precisasse..) de que a pessoa competente em produzir quantidade vence, e que a pessoa competente em produzir qualidade vai passar por bons apertos.


Não é necessariamente uma novidade, mas é triste mesmo assim, ainda mais quando vemos mais e mais pessoas fazendo música para os olhos, e não música para os ouvidos.


Falando um pouco do conceito de "We Are The Others", a vocalista Charlotte Wessels, que não usa as roupas mais exêntricas, pois é muito bonita, que não emplaca diariamente hits nas listas da Billboard, mas é orgulhosa do que faz, comentou em entrevista que uma das músicas (a faixa título) é inspirada no caso da jovem britânica Sophie Lancaster, que foi espancada até a morte pelo fato de ser gótica e por isso vestir-se diferente, caso que tocou a cantora de tal maneira que todas as letras do disco acabaram por girar em torno do assunto.

"Por um lado, ser orgulhoso de quem quer que você seja, se você diverge do padrão e de qualquer maneira que você diverge do padrão. Mas por outro lado, também é um tipo de música para os "outros". Nós queríamos apenas uma música sobre aceitação." (Charlotte, sobre a musica)

Isso me deixa meio sem palavras. Lamento pelas pessoas estarem sendo privadas de músicas interessantes, e lamento dobrado por elas estarem aceitando e até comemorando isso. O tema de We Are The Others é pesado demais? Olhem ao redor, isso é 10% do que a sociedade tem sido capaz de fazer de uns anos pra cá.


Então eu louvo a iniciativa da Charlotte (recém formada em História da Arte), que não varreu a sujeira pra debaixo do tapete com o discurso de que nós somos jovens, bonitos e temos que aproveitar a vida, mas que usou o seu espaço para contar uma história triste e tentar fazer as pessoas refletirem.


Sendo assim, enquanto o Delain não tem esse impasse resolvido, eu estou de luto.


Rest in peace, direito de escolha.