Vamos começar falando de Silver Bride da banda finlandesa Amorphis, famosa por cantar histórias da mitologia do país, tendo como principal inspiração o poema épico Kalevala, que mediante os trechos que conheço, recomendo a leitura.
Silver Bride é parte do Skyforger, álbum focado em Illmarinen, o ferreiro imortal capaz de criar praticamente qualquer coisa, porém sem sorte no amor. A letra em si relata o momento onde o ferreiro está desolado pela morte de sua primeira espora, vítima da maldição lançada por Kullervo, o único anti-herói trágico da mitologia finlandesa. É nessa hora que Illmarinen resolve forjar outra esposa a base de ouro e prata, quando percebe que ela possui um coração duro e frio. Para nós, leitores contemporâneos (pois a primeira versão do Kalevala foi publicada em 1835), essa história poderia ser comparável a do Frankestein, pelo fato de carregar a moral de que o "dinheiro não compra a felicidade".
Os protagonistas são as duas famílias mais ricas da região, os Marcilla e os Segura, na qual os filhos Juan Marcilla (também conhecido como Diego) e Isabel Segura são apaixonados um pelo outro desde a infância. Entretanto, quando eles alcançam idade suficiente para se casarem o pai de Isabel impede, fazendo então um acordo com Diego para que ele deixe a região por cinco anos para construir sua fortuna e retornar para finalmente casar-se com Isabel. O final -que eu não vou contar para deixar um suspense proposital- é triste e inesperado, como vocês podem ver na arte que ilustra o disco do Dark Moor e verão melhor ainda no clipe da música.
Agora faremos uma escala no Japão para falar da banda de visual kei D com a música 鳥籠御殿 ~L’Oiseau bleu~, que faz parte do mini-álbum Torikago Goten ~L'Oiseau Bleu~, lançado em Julho de 2011. A letra composta pelo vocalista Asagi é baseada na peça L’Oiseau bleu (The Blue Bird em inglês) escrita pelo belga Maurice Maeterlinck, onde a garotinha Mytyl e seu irmão Tyltyl buscam pela felicidade representada através do Pássaro Azul da Felicidade, sendo auxiliados pela fada Bérylune.
A composição de Asagi visa também fazer uma conexão entre a história e o processo de recuperação do Japão após o forte terremoto sofrido em Março de 2011, e apesar de ser o retorno da banda a um selo indie é um mini-álbum bem produzido com um PV bonito e emocionante. Você pode a tradução da música para o inglês nesse link.
Por fim, mas não menos importante uma de minhas músicas favoritas atuais, A Rose For Epona do Eluveitie. Quem já conhece a banda ou ouviu algumas músicas da New Wave of Folk Metal sabe, o Eluveitie canta basicamente as histórias e os mitos da cultura celta através de uma bem sucedida combinação entre a magia folk e o death melódico, resultando num som forte, porém agradável.
Helvetios é o primeiro álbum conceitual da banda suíça e fala sobre as Guerras da Gália, uma série de campanhas iniciadas por Júlio Cesar em abril de 58 a.C. e finalizadas na primavera de 52 a.C. estabelecendo o domínio romano no continente Europeu a oeste do rio Reno. A Rose For Epona em especial é a prece de uma jovem gaulesa para Epona, deusa celta da fertilidade e protetora de cavalos, burros e mulas durante o período de conflito. O resultado é uma música triste, porém muito sensível e com grande carga histórica.
Isso é tudo. Espero que vocês gostem do post tanto quanto eu gostei e como logicamente, espero que vocês também continuem acompanhando o Hardmetal Brasil no ano de 2012.



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