Certa vez comentei em review sobre o quão desanimada eu estava com o metal no início de 2011, principalmente pelo desgaste que vi algumas vertentes como o metal melódico e o metal sinfônico female fronted sofrerem. Com isso, passei a procurar fontes musicais alternativas indo do adult contemporary à música japonesa, me levando a ter certeza do argumento que carrego há algum tempo: a questão não precisa ser reinventar a roda, e sim achar uma nova forma de usá-la.

E já que estamos em Dezembro, mês de comida boa, especiais do Roberto Carlos e retrospectivas televisivas que ninguém se importa muito, resolvi fazer a minha lista. Claro, vale sempre dizer que por ser a minha ela será parcial, tendenciosa e feita baseada apenas nas minhas preferências musicais, senão que sentido teria compartilhar o que eu ouço com vocês?

Em linhas gerais 2011 foi um ano equilibrado, não sou capaz de dizer que essa ou aquela vertente se destacou mais com seus lançamentos. Foi o ano de novos trabalhos do metal sinfônico, passando pelo melodic death metal, progressivo indo ao metalcore e gótico, retornos de nomes como To/Die/For, Evanescence e Nightwish, mudanças no som de bandas como Within Temptation, Opeth e In Flames, além polêmicas brasileiras ao gosto do freguês.

Dito isso, vamos destacar então mais alguns nomes.

Ah, um aviso: os títulos que estiverem linkados são reviews que escrevi ao longo do ano, e obviamente também recomendo a leitura.


Era um álbum no qual eu não sabia o que esperar, mas que após a primeira audição transformou a banda em minha favorita do female fronted. The Unforgiving é cheio de energia, letras obscuras e com desejo de superação. As músicas são coesas e agradáveis, do tipo que você escuta sem sentir o tempo passar. A banda está em sua melhor forma técnica, tendo incorporado sem problemas os novos integrantes: o baterista Mike Coolen e o guitarrista Stefan Helleblad, que vai substituir Robert Westerholt em turnê, enquanto este cuida da família e prepara o novo material.

For All We Know - For All We Know (25 de Abril)
Ainda sobre o Within, For All We Know é um dos projetos paralelos do guitarrista Ruud Jolie, onde ele explora o metal progressivo e faz um som diferente do que estamos acostumados a ver em sua banda. O álbum homônimo conta com várias participações do meio, entre elas os vocalistas Daniel Gildenlöw do Pain of Salvation e Damian Wilson, que já trabalhou com Ruud no Maiden UniteD, seu outro projeto. Sharon den Adel também faz uma belíssima participação no dueto com Gildenlöw em Keep Breathing. Audição recomendada.

Gosto da Shadowside e do seu profissionalismo. Para gravar o novo material eles deram um passo adiante na carreira e viajaram até a Suécia para trabalhar com o famoso produtor Fredrik Nordström. O que pode ser observado em Inner Monster Out é um som moderno, com ares suecos (o álbum me fez lembrar do novo material do In Flames), e uma boa performance da banda. Destaque permanente para a participação dos vocalistas das bandas Dream Evil, Soilwork e Dark Tranquility na faixa título.

Junho foi um mês importante em dobro, BAM. O já citado In Flames finalmente lançou o aguardado Sounds of a Playground Fading, álbum que trazia como principal promessa (e polêmica) a exploração de vocais mais amplos. Ainda trabalhando o som moderno que começou a ganhar vida em Reroute to Remain, Sounds tem sim bons vocais e letras com teor ainda introspectivo. Embora não seja o tipo de álbum que você escute sem pular algumas faixas, passa longe de ser ruim ou péssimo. Ele ganha os seus ouvidos até com alguma facilidade.

Versailles - Holy Grail (15 de Junho)
E fechando a dobradinha do mês o Versailles, que veio para derrubar minha implicância melódica e sinfônica com o lançamento do Holy Grail, pois apesar de fazer parte do falado visual kei, Kamijo & cia fazem nada menos que uma combinação entre metais melódico, power, sinfônico e progressivo. Entretanto, é um caso digno de destaque por traduzir na prática meu exemplo da roda: mesmo tendo bandas como Angra e Dream Theater como influências, o Versailles traduz isso em música não-clichê. Masquerade é de audição obrigatória.

Trivium - In Waves (9 de Agosto)
Todos os lançamentos de 2011 que me perdoem, porém esse é o meu favorito entre todos, e acreditem, foi uma escolha difícil. Diferente do progressivo Shogun, In Waves resgatou melodias mais simples dos tempos do Ascendancy, porém tecnicamente melhores e tão cativantes quanto, além das letras tão bem compostas que acertaram em cheio a pessoa que vos fala. Isso acabou me impulsionando a ouvir outras bandas de metalcore e metal moderno também. Matt, Corey e Paolo estão com os vocais em melhor forma e fecharam uma boa parceria com a entrada do novo baterista, Nick Augusto.


- Menções honrosas (fora de ordem cronológica)
Outra banda da linha metal melódico sinfônico finlandês na qual eu não tinha pretensão de ouvir. Entretanto, assiti ao clipe de Stand Up and Fight no Stay Heavy e fiquei curiosa, então corri atrás de mais informações. É um disco extremamente orquestral, mas super interessante em virtude da temática viking/histórica.

Amorphis - The Beginning Of Times
Num primeiro momento os finlandeses do Amorphis me desapontaram, pois eu esperava algo mais próximo do antecessor, Skyforger. Os meses passaram, meus ouvidos se acostumaram mais com bandas do gênero, ouvi o disco novamente e acabei gostando.

Sonata Arctica - Live In Finland
Apesar de ser um lançamento (álbum duplo) sem material inédito, descobri que ouvir Sonata ainda me faz bem, pois é uma das bandas que ainda me acompanha desde os primeiros anos de ouvir metal. Destaque para Letter to Dana, música que eu não gosto, mas que ganhou uma bonita versão acústica.

To/Die/For - Samsara
Sim! Outra menção finlandesa (risos). Cinco anos após o último álbum inédito e dois após a separação, retorna o To/Die/For. Confesso que não esperava ouvir Samsara ainda esse ano, mas consegui. Apesar de não ser tão cativante quanto Wounds Wide Open, ainda assim vale a pena ouví-lo, principalmente pelo conceito do Samsara.

Mercenary - Metamorphosis
Banda que descobri através das minhas pesquisas, que lançou material novo esse ano e eu por acaso fiquei sabendo em Dezembro. Mesmo não contando mais com o Mikkel Sandager para fazer o vocal limpo (função agora do baixista René Pedersen), o Mercenary é uma banda que vale a pena dar a chance de ouvir.

Por fim, Machine Head. É um caso a parte de um álbum de thrash metal com toques modernos que conseguiu não cansar meus ouvidos. O ponto alto são os vocais do guitarrista Robb Flynn.


Outros cds que valem a pena: Van Canto - Break The Silence, Edguy - Age of The Joker e Symhphoy X - Iconoclast

Em estúdio para 2012: Além do Within, bandas como Soilwork, Firewind e Tarja