Prometi a mim mesma resistir a tentação de escrever sobre o "Rock In Rio". Mas claro, o desenrolar dos fatos me levou a ceder. Sendo assim, puxem uma cadeira, sentem-se e aproveitem a leitura..
Confesso, fiquei feliz com o retorno para casa do festival. Sou carioca, e apesar de circular pouco na região da Barra da Tijuca, gostei de ver uma das guitarras decorativas, ainda mais por ter sido um ano em que vários nomes do metal passaram por aqui. Já em casa, fiz uma pesquisa para descobrir os moldes e nomes da 4ª edição: dias dedicados a estilos diferentes, tenda de música eletrônica e ali, em 25 de Setembro, um dia dedicado ao mal falado heavy metal.
Não entrei no clima de acompanhar as atividades, pois muita coisa no "RiR" não me interessava. Creio que a ficha só tenha caído mesmo quando alguns colegas de faculdade sairam durante a aula de Comunicação Impressa e Digital para ficar na fila dos shows de de sexta-feira.
Nesse dia assisti muito superficialmente o que a Rede Bobo Globo transmitiu no horário próprio para corujas e morcegos, pois aproveito para dormir mais tarde nos finais de semana.
Sábado, mais do mesmo. Deixei a televisão da sala ligada durante a apresentação do Red Hot Chili Peppers enquanto permaneci no PC, ouvindo a mesma muito de longe. Prestei atenção apenas quando tocaram By The Way e Under The Bridge, as únicas músicas que eu gosto.
25 de Setembro, lá vamos nós. E embora eu gostasse apenas de Metallica e Tarja, acabei me empolgando mais por ser o nosso dia, onde os escalados foram: Glória, Coheed and Cambria, Motörhead, Slipknot e Metallica (Palco Mundo), Korzus+Punk Metal All Stars, Matanza+B Negão, Angra+Tarja Turunen e Sepultura+Tambours Du Bronx (Palco Sunset).
Via stream assisti ao show do Angra, cornetei nas redes sociais, e mais tarde vi com vocês os efeitos colaterais da apresentação. Assisti pequenos trechos de Glória, Sepultura e Motörhead, pois não gosto dessas bandas. Coheed and Cambria? Mesmo me considerando uma metal nerd, nunca havia ouvido falar neles antes.
Praticamente não assisti ao show do Slipknot graças a ansiedade de ver o Metallica, quando após uma longa pausa para James Hetfield ajeitar o cabelo montagem do palco, a banda aparece. Acompanhei parte do show, pois precisava acordar cedo no dia seguinte, e já eram 2 da manhã quando dormi.
Na segunda-feira, retorno a rotina de diversidade musical universitária, até conseguir contato com uma colega de outro período que esteve lá. Engatei então uma conversa dessas que só os headbangers entendem, feito exaltar a bizarrice de nos emocionarmos com certas músicas como Nothing Else Matters. Foi um dos raros momentos que tive com quem expressar meu lado negro e me sentir feliz com isso.
(risadas maléficas ao fundo)
Outro Sábado, o dia considerado como o mais morno, que contou com a apresentação do Maná, a única banda (além do Mägo de Oz) que canta em espanhol e eu gosto. Por fim (literalmente), o dia que marcou o retorno do Evanescence.
Apesar do setlist curtíssimo (13 músicas) se comparado com System of a Down (28 músicas), e Guns N' Roses (com 40), foi muito bom ver Amy Lee voltando a ativa. Ela que foi a primeira voz não-lírica/pseudo lírica do female fronted que eu conheci. Destaque para Call Me When You're Sober e claro, My Immortal.
E assim acaba o meu Rock In Rio: estranho. O mundo evoluiu (ou involuiu), a sociedade acompahou o ritmo, e o festival não escapou da regra, passando por fortes mudanças. Não, não sou outra xiita de 5ª categoria que prega a morte de tudo que não é heavy metal, mas fico observando o caso de dois outros festivais, o Hellfest (França), e o Wacken Open Air (Alemanha).
Ambos ao longo de sua existência mantiveram e mantém a identidade: música pesada. O "WOA" em especial me emociona por coisas tão headbangers e bonitas como um coro de milhares de vozes cantando The Bard's Song do Blind Guardian sem errar nenhum verso.
Não tenho nada contra os artistas não-rock/metal que se apresentaram, pois além de Maná e Elthon John também gosto de Shakira e Stevie Wonder. Minha principal crítica ao Rock In Rio foi de agregar artistas a uma marca na qual eles não pertencem.
Entendam que isso não é ser xiita, é brigar pela identidade de um festival que deveria ser orientado para um público musical específico, tal como acontece com o carnaval carioca ou as micaretas baianas. No Hellfest ou WOA tem-se o que faltou ao RiR: respeito com o público "roqueiro".
Mas ok, se vamos misturar gêneros musicais, que tal misturar coisas que realmente se encaixam? Cito como exemplo o Pinkpop Festival dos Países Baixos. Por esse festival já passaram nomes como The Rasmus, Alanis Morissette e The Police (que eu adoro), mas também nomes como HIM, Within Temptation (que eu também adoro) e Metallica.
Se for inevitável, eu não sou contra a mistura. Sou a favor da qualidade da mistura. Afinal existe uma grande diferença entre misturar um bolo de chocolate com castanhas e chantilly, ou o mesmo bolo com azeitonas e vinagre.



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